25 de setembro de 2008

Ato da Ocupação da reitoria da UERJ

Indignados com a situação que vive a UERJ e pensando numa educação publica de qualidade. Estudantes ocuparam a reitoria da universidade no dia 10 deste mês. As reivindicações são melhorias e aumento de verba para que a universidade possa continuar funcionando.

Com assembléias diárias, mais especificamente duas por dia e atividades culturais os estudantes continuam firme na ocupação, apesar dos abusos e desrespeitos cometidos, por exemplo, o corte da água e luz ocorrido esta semana, alem de ser visível o aumento do contingente de seguranças nas proximidades da ocupação.

Ontem os estudantes realizaram um almoço coletivo no Hall do Queijo e em seguida um ato unificado (UERJ / Uenf) com concentração em frente à UERJ. Os estudantes andaram por ruas próximas a UERJ e depois retornam para a ocupação onde finalizam o ato com a morte simbólica da política do atual governo do Estado do Rio de Janeiro.

15 de setembro de 2008

Era Uma Vez...


Era Uma Vez... uma cidade muito engraçada que não tinha nexo não tinha nada. Todos podiam viver nela, desde que, uns no asfalto e outros nas favelas...

Esta cidade é mesmo muito engraçada, para não dizer confusa. A desigualdade é gritante, bairros luxuosos e pobres a poucos metros um do outro. Milhares de pessoas vivendo na mesma cidade, mas com realidades bem distantes.

Outro dia a convite de uma amiga, fui ver o filme “Era Uma Vez...” que conta a história de amor de dois jovens, próximos em espaços e distantes socialmente. Estilo Romeu e Julieta. O jovem morador do Morro do Canta Galo e a jovem moradora da Vieira Souto, ambos os endereços em Ipanema no Rio de Janeiro. O amor dos dois é quase impossível, diz a sinopse do filme. Essa era a história que eu esperava ver no cinema. O filme é dirigido por Breno Silveira, o mesmo diretor do filme “Dois Filhos de Francisco” e protagonizado pelo Thiago Martins, integrante do Grupo nós do Morro.

Dé, interpretado por Thiago, é o personagem principal do filme, filho de mãe solteira que alem dele tem mais dois filhos. Todos sofrem com o trafico de drogas que domina a comunidade. Um dos três irmãos (Beto) sonha ser jogador de futebol, mas é morto por um jovem aspirante a traficante, que sem grandes explicações ou motivos convincentes o mata. Carlão irmão mais velho de Dé para não vingar a morte de seu irmão e com medo de também ser morto é obrigado a sair do morro e por não tem onde morar vai morar na rua, e lá pelas tantas, mesmo sendo inocente é preso por porte ilegal de arma. Anos mais tarde foge da cadeia e volta com o objetivo de invadir a favela e vingar a morte de seu irmão. Ou seja, pegando a história dos três irmãos, tirara-se a seguinte conclusão: o favelado não tem muitas saídas, mesmos que faça coisas boas e mostre que é batalhador e tudo mais... em algum momento terá que seguir seu destino, o crime, ou a morte cruel. Isso fica claro no final do filme. Não sei até que ponto é uma critica, ou se é mesmo dessa forma que os criadores do filme vêem os moradores de favelas.

Numa entrevista o diretor fala da proposta do filme. Contar a história de amor de dois jovens de classes diferente. Mas o filme acaba tendo como plano principal de abordagem o trafico na comunidade. Uma breve observação das obras cinematográficas produzidas, pelo menos as mais veiculadas, nos da à impressão de que parece impossível contar as histórias das favelas sem antes falar do trafico de drogas. O trafico é tão fascinante que até os filmes que não se propõem falar dele acabam fazendo deste o tema principal das obras, como se os moradores das favelas fossem incapazes de ter uma história sem a interferência deste. Entendo que o trafico seja um assunto que precise ser abordado pelas obras cinematográficas, afinal é um problema da nossa sociedade, mas abordá-lo da forma como se aborda, é na verdade reforçar alguns estereótipos já estabelecidos.

O filme muito, timidamente, toca em algumas questões ”problemas” da cidade do Rio: a desigualdade social a forma como a policia atua nas favelas, o preconceito do rico para com o pobre... O destaque é mesmo é o trafico, como se esse fosse o fato que gera os demais. O filme não difere em nada das demais obras produzidas com o objetivo de contar as histórias das favelas.

A obra Romeu e Julieta de Willian Shakespare conta a história trágica de dois jovens pertencentes a famílias rivais (Capuleto e Montecchiou) que se apaixonam e no final morrem. O filme Era uma Vez... tem o mesmo final e talvez tenha a mesma pretensão. Mas não acredito que a sociedade carioca aprenda com a perda dos jovens da Cidade, perdemos milhares de pessoas todos os anos. É bem verdade que dependendo da morte e de que classe essa pertença repercute e choca mais, mas me parece que aqui pouco se aprende com essas perdas.

Na mesma entrevista o diretor diz que o filme não é para retratar a violência. Bom, eu diria que ele não conseguiu mostra o que queria, pois o que mais aparece no filme é o que o senso comum chama de violência.

12 de setembro de 2008

Ocupação da Reitoria da UERJ

A reitoria da UERJ foi ocupada pelos estudantes que reivindicam a construção de um bandejão, realização de concurso para professores, assistência estudantil, construção de creche, aumento da bolsa de R$ 250 para um salário mínimo e o aumento do repasse de verbas do estado para a universidade.
Fotos da ocupação