7 de janeiro de 2009

Pesquisa revela desejos de jovens de favelas

No final de dezembro de 2008, o Cine Odeon, no Rio de Janeiro, foi o palco para a apresentação da pesquisa “Ser Criança e Adolescente no Rio de Janeiro”. As estrelas da noite foram os adolescentes das comunidades do Complexo do Alemão, Santa Cruz e Copacabana/Leme, autores da pesquisa.
A pesquisa, promovida pelo UNICEF e coordenada pelo Cedaps (Centro de Promoção da Saúde), foi realizada por 46 adolescentes pesquisadores, de 14 a 17 anos, que entrevistaram 887 crianças e adolescentes. A pesquisa participativa e o protagonismo juvenil são duas das estratégias da Plataforma dos Centros Urbanos, iniciativa do UNICEF, a ser lançada nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), São Paulo e Itaquaquecetuba (SP) em 2009.
Entre os dados da pesquisa, destacam-se o baixo número de jovens que nunca acessaram bens culturais, como teatro, cinema e museu (cerca de 50%), em contraponto ao alto nível de jovens com acesso à internet nas comunidades (90%).O estudo também apontou que 80% dos entrevistados, apesar de afirmarem que a violência e o medo do Caveirão são os principais problemas de sua comunidade, sentem-se muito bem no lugar onde vivem. “Mesmo com a violência, é um lugar de onde a maioria de nós não sairia porque temos amizades. É praticamente uma família”, disse Gláucia Nascimento, moradora do Complexo do Alemão, em entrevista à TV Globo durante o evento.
Entre as recomendações tiradas pelos pesquisadores, estão a extensão do passe-livre em transportes para além dos horários escolares, facilitando o acesso a espaços culturais e de lazer da cidade; maior acesso à educação sexual e à distribuição de camisinhas; e a mudança da cor laranja do uniforme escolar, que aparece com um alto índice de rejeição entre os estudantes.
“É muito importante que os adolescentes sejam protagonistas de pesquisas e diagnósticos sobre a cidade. Dessa forma, poderão reconhecer seu território, levantar suas demandas e reivindicar seus direitos”, disse a coordenadora do escritório do UNICEF no Rio de Janeiro, Luciana Phebo.

Leia aqui a pesquisa na íntegra

Fonte: Observatório de Favelas

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