11 de maio de 2009

Fotografia


Um fotógrafo, uma câmera, uma escada, uma coluna, alguns canos, sombras, luzes, um clique em dois meninos soltando pipa numa laje na favela da Rocinha no Rio de Janeiro.

O clique é do fotógrafo Ratão Diniz.

Fotografia e poesia

“Seu João Bolinha, como ele é conhecido pelas ruas da Maré, é vendedor ambulante e produtor de alegrias com suas bolinhas de sabão. A criançada adora quando ele passa soltando suas bolas coloridas e leves que chegam a tocar o céu”.


A fotografia acima é do fotógrafo AF. Rodrigues é foi clicada na comunidade Nova Holanda.

8 de maio de 2009

Fotos-Grafitadas



Foto: Ratão Diniz
Texto: Francisco Valdean

Muros desbotados, carros abandonados, portões enferrujados é a tela de pintura do grafite. As partículas de tinta pulverizadas aos pouco ganham forma na tela habitual do artista de rua. As cores, elemento integrador, unem-se a forma dando o toque final da mensagem transmitida ao leitor. Por fim, sob o controle do autor nasce a obra grafitada já exposta na galeria mais pública e democrática que existe, a rua.

A liberdade - anseio das artes - é mais notória no grafite. Uma parenta, a pintura, tem os mesmo elementos artísticos, mas nasce enquadrada, produzida num ateliê, composta dentro de uma moldura quadrada. Num processo posterior é exposta numa galeria que por sua vez a aprisiona numa sala, com exceções, de formato quadrado. O enquadramento limitador final é o público a que esta é destinada. Já a arte do grafite é livre dos quadrados limites, não tem tela, habitualmente não é produzido em ateliê e o seu espaço de exposição é a rua. Esses elementos fazem do grafite uma arte livre de enquadramentos.

A metalinguagem aqui apresentada entrelaça-se. Os registros representados assumem cumplicidade, ora o grafite documenta a fotografia e ora a fotografia compõe no mesmo documento o grafiteiro, sua obra artística e o cotidiano que o cerca, resultando numa imagem agradável aos olhos do leitor.

O registro da alegria, dos passos apressados do fotografado, enriquece as telas grafitadas nos muros e portões, antes sem vida. O fotógrafo regula a luz, as cores, compõe as sombras e os vultos de vida em torno das obras em cenas únicas. O aspecto mais importante é que a obra não seleciona o público, o público é que a seleciona. Neste sentido o grafite é a arte livre ou talvez liberada para exercer a liberdade ansiada pelas artes.

* Texto de apresentação da exposição “Fotografitando” do fotógrafo Ratão Diniz a respeito do universo do grafite na cidade do Rio de Janeiro. A exposição foi exposta no Espaço Cultural do Colégio Pedro II durante a programação Foto Rio de 2009.