9 de janeiro de 2010

Lula, o Filho do Brasil

Direção de Fábio Barreto. Roteirista Fernando Bonassi, Daniel Tendler, Denise Paraná, Com Rui Ricardo Dias,  Glória Pires, Juliana Baroni, Cleo Pires, Lucélia Santos, Milhem Cortaz, Marcos Cesana. Trilha musical de Antonio Pinto.






É difícil contar as vezes em que sentimos arrepios  por algumas emoções inevitáveis, dentre essas muitas  que me ocorreram destaco três em especial.

A primeira quando ainda criança e morando no nordeste brasileiro (década de 80) ouvia falar de Lula, pelo radio, não tinha como não se emocionar. Principalmente na campanha de 89, era de fato a primeira vez que um brasileiro com aquela origem, comum a muitos brasileiros concorria a presidência do Brasil que sempre foi um grande palco ocupado por advogados fazendeiros, pessoas de “cultura”, daí não é difícil entender por que ele foi e é considerado, “burro”, “inculto” e incapaz de administrar o Brasil.

A segunda emoção ainda na ala dessas inesquecíveis foi em 2003 quando ele chega a presidência, não por ser ele um nordestino um ex-operário, o que seria o suficiente para emocionar, e sim por ser um cara que devido sua origem, tem necessariamente uma visão diferenciada dos problemas sociais e de alguma forma está comprometido com milhares de filhos de Francisco que morrem – ou melhor, não nascem socialmente todos só dias.

A terceira foi ontem ao ver o filme Lula, o Filho do Brasil. Fui ver o filme e tinha claro que veria um filme na linha de um modelo que deu certo, era sem dúvida um terceiro filho de Francisco, as coincidências são muitas. No fundo o filme é mesmo a história de um terceiro filho de Francisco, essas de sucesso e que "merecem" ir parar na  "telona" .  Ao contrario, Franciscos e filhos de Franciscos perambulam aos milhares por aí diariamente. Mas fazer o que?  só sabemos repetir o que deu certo, se alguém faz um filme que da certo (da bilheteria), rapidamente a formula é copiada e os demais do assunto serão parecidos. Basta olhar para os filmes que falam das favelas.

Se me emocionava com a história do Lula na década de 80 e em 2003 não seria diferente ao ver o filme. Ao contrario da história de dois filhos de Francisco, o filho do Brasil mostra ou pelo menos serve de apontamento para uma história de exclusão, um cataclismo social escondido, não revelado a todo custo e qualquer custo. Aponta para a morte de milhares de pais e filhos de Franciscos que morrem pela fome, pelo analfabetismo, pela falta de acesso a bens culturais. Evidencia, se é que não é evidente, uma população de Franciscos injustiçados que já nascem mortos socialmente.

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