Recentemente foi publicado uma série de 5 vídeos sobre a Maré na página do jornal inglês Guardian. Os 5 curtas compõem um longa chamado "Te Vejo Maré" filmado por Benjamin Holman
Juntamente com os vídeos também foi publicado fotografias do cotidiano da comunidade, dentre elas a foto acima em que fiz em 2007. A imagem é de um grupo de mulheres evangélicas em passeata na comunidade do Parque União, na ocasião elas oravam e pediam paz.
----------------------------------Rascunho do Cotidiano----------------------------------
Hoje vi no noticiário de São Paulo que
uma criança foi morta pela polícia na zona norte da cidade. Os policiais dizem que teve tiroteio entre a polícia e com ladrões, os moradores dizem que não.As cidades mudam, mas os atores e histórias não.
----------------------------------Rascunho do Cotidiano----------------------------------
No Rio de Janeiro os reparos de casa custou a vida de Helio morador do Andarai. Ele foi morto por que um policial do Bope confundiu a furadeira que ele usa com uma arma.
Hoje se fala em incidente, lembrando que incidente tambem pode ser lido como acaso, e bom, acho que matar nunca foi meros acasas para o Bope. Os caras são treinados pra que?
Imagine um monte de fios instalados no meio do caminho, na entrada da porta. É possível entrar, contudo é meio estranho e incômodo, mas o papel do artista é ser incomodo e incomoda.
---------------------------30 segundos de Hélio Oiticica---------------------------
Quando se chega em outro lugar (cidade) é quase inevitável que se busque as comparações com o lugar (cidade) de onde agente mora.
Andando pela Avenida Paulista em São Paulo da pra ver muitas coisas diferentes do Rio, não há aqui comparações de melhor ou pior, mas em São Paulo me parece que os portadores de deficiências são mais respeitados.
Em outra ocasião, em 2008 enquanto fotografava, em pouco tempo fotografei varios portadores de deficiencia pegando onibus.
------------------------------Paulista em 2008------------------------------
Na época eu não havia percebido que há também na avenida uma pista podotátil, uma espécie de pista guia para os deficientes visuais que andam pela avenida.
A Avenida Paulista foi inaugurada em 8 de dezembro de 1891, por iniciativa do engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima. O projeto da nova de forma que importasse, tal e qual, o modelo das grandes avenidas européias para agradar a elite cafeeira que se instalava na cidade.
A avenida passa a abrigar neste período a crescente burguesia que aumentava mais e mais a medida que o café acelerava a economia e os bolsos da elite paulista.
É quando nasce os grandes e requintados casarões espalhados pela avenida, transformando a Paulista numa referencia na cidade.
Mais tarde, com a virada do século e a decadência da cultura cafeeira, o Estado de São Paulo sofre uma guinada e, a partir da década de 30, transforma-se em um dos mais importantes pólos industriais da America Latina. A industria paulista cresce 60% durante o período de 34 e 38, chegando a ter mais de 14 mil fabricas em 1941. Neste novo momento econômico, a Paulista passa por outra mudança radical: a avenida glamurosa que exibia imponentes casarões residenciais abre espaço para receber os primeiros edifícios comerciais e de serviço da cidade.
No início dos anos 70, graças a intensa movimentação de pedestres e circulação de veículos a Paulista passa por obras de alargamento da avenida. Assim, a avenida Paulista estava sendo preparada para se tornar o que é hoje: o principal centro econômico, cultural e de entretenimento do País.
Lendo algumas informações pela internet um texto no Globo Online do mês de fevereiro de 2009.
Segue abaixo alguns trechos da matéria
“ A pedido do secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a Linha Amarela também poderá ganhar muros na altura da Vila do João, a exemplo do que será feito pela prefeitura em três pontos de risco da Linha Vermelha”.
A matéria segue
“O principal objetivo dos muros de três metros de altura, em aço, concreto e acrílico, segundo a secretaria, é proteger os motoristas dos bandidos que se aproveitam de engarrafamentos para fazer arrastões”.
Ou seja, o projeto se modificou, “Do lado do muro que dá para as favelas, o projeto prevê um corredor de árvores para fazer uma barreira acústica, além de áreas de lazer”. Saiu as arvores e ficou só o argumento de que o muro é uma proteção sonora.
O projeto também ganhou um outro valor, de 4 milhões passou para 20.
Na versão online do Globo a nota fecha com a fala do secretário de Obras, Luiz Guaraná, “os muros servirão de proteção em eventuais tiroteios, uma vez que o aço a ser usado terá cinco milímetros de espessura”.
Na atualidade a prefeitura diz que o muro, que já esta quase concluído, é na verdade uma “Barreira Acústica”.
Cartaz do projeto "Sou da Vez" do Movimento Helaiz
Por Gizele Martins
Aproveitando a semana de Enfrentamento do Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, nesta quarta-feira, dia 19 de maio, às 15h, o Movimento Helaiz, grupo de mães que há três anos luta pela prevenção contra o rapto e desaparecimento de crianças no Rio de Janeiro, mães estas que já passaram por esta triste experiência de ter tido seus filhos levados por sequestradores, se encontrarão com alunos do curso preparatório do Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (Ceasm), Morro do Timbau, no Conjunto de Favelas da Maré.
A ideia do movimento é percorrer as favelas e os lugares mais pobres da cidade e colocar em prática o projeto "Sou da Vez", que tem como iniciativa conscientizar pais, familiares e vizinhos sobre o cuidado com os filhos, já que o número de desaparecimento de crianças em todo o Estado do Rio tem crescido. O último caso, por exemplo, aconteceu na própria favelada Maré com o desaparecimento da menina Gisela Andrade, de apenas 8 anos, raptata ao sair da Escola Municipal Bahia, há dois meses.
O convite é para toda a comunidade da Maré e amigos da Maré que queiram ouvir a experiência dessas mães, e quem quiser convidá-las para alguma conversa sobre o assunto é só entrar em contato pelo email: movimentohelaiz@bol.com.br.
Pé de livro na Escola Municipal Napion, o pé de livro é uma iniciativa da Redes da Maré e aconteceu hoje dentro da programação de um evento chamado África em Foco.
Saibas mais sobre o evento em www.gremioconexaonapion.blogspot.com
Ontem, o Bloco Se Benze que Dá através de um ato na comunidade Nova Holanda convidou os mareenses a gritarem contra o muro que nos cerca.
O ato iniciou com a moradora Gisele Martins fazendo a leitura da * "Carta aberta contra os muros nas favelas Cariocas"
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Em seguida foi a vez da galera da APAFUNK. Lembrando que essa é a primeira roda de Funk na Maré.
Antes que o bloco tocasse o microfone foi aberto para se discutir a questão.
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Outras imagens
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* "CARTA ABERTA CONTRA OS MUROS NAS
FAVELAS CARIOCAS"
Desde seu surgimento a favela tem sido alvo de intenso processo de estigmatização e criminalização. Inicialmente, a reação à favela era suscitada através de uma “preocupação” com os problemas relacionados à saúde, higiene e poluição estética da cidade. Atualmente, é a crença em uma incontestável associação desses territórios com a criminalidade, a ilegalidade e a pobreza que orientam a formulação de políticas públicas e o discurso das mídias empresariais. São exemplos desse processo de marginalização a remoção de favelas, a criminalização do funk, a ação policial violenta e, até mesmo,
discursos fascistas, como o do atual Governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, que aponta a favela como uma “fábrica de produzir marginal”.
Apesar da existência dessas medidas mais explícitas de segregação da favela, é sob o disfarce de “barreira acústica” – para a proteção sonora daqueles que moram próximos às principais vias expressas da cidade – que o Estado reafirma o processo de estigmatização e marginalização dos favelados. Conforme matéria do jornal Estado de São Paulo, serão gastos 20 milhões de reais – financiados pela Lamsa [Linha Amarela S.A.] – para que o muro seja erguido.
Contudo, não se trata de uma nova iniciativa. Em 2003 e 2004 projetos de lei apresentados à Alerj produziram uma evidente associação entre favela, violência e risco aos usuários das vias expressas. Naocasião, não se refletiu sobre o favelado, mas sobre a proteção dos usuários das linhas vermelha e amarela.
Os muros seriam levantados e o sentimento de segurança de uns seria garantido, enquanto a outros seria reservado o descaso. Do mesmo modo, também em 2004, iniciativa do então Secretário Municipal de Meio Ambiente, Luiz Paulo Conde, propôs medida similar a essa. Para nós, o que hoje se apresenta sob a forma de “barreiras acústicas” e “ecolimites”, se trata, na verdade, de uma reedição dessa mesma política que visa estigmatizar e criminalizar uma grande parcela da população carioca que reside nas favelas. Cientes de que as “barreiras acústicas” não poderão calar todas as vozes das comunidades encarceradas, os agentes dessa política segregacionista tentam enganar e/ou comprar associações e ONGs situadas na Maré.
Trata-se de mais um ataque assistencialista cuja finalidade é promover o maior controle dos espaços populares. A manutenção de uma política mercantil de projetos sociais não pode servir de moeda de troca dessa política fascista. Diversas instituições já aceitaram o dinheiro da Lamsa, mas é um e quívoco da Lamsa e dos governantes acreditar que essas ONGs representam todo o povo e as forças populares. Nossa resistência não se compra, nosso grito não se cala!
Nós, do Bloco Se Benze que Dá!, que desde 2005 buscamos formas de nos posicionar contra as fronteiras que existem dentro da Maré, escrevemos essa carta para denunciar a fronteira que quer separar fisicamente a Maré do resto da cidade. Assim, nos diferenciamos destes setores e propomos uma nova política que se construa junto com o povo. Que os recursos utilizados para a construção do muro e de outras medidas
direcionadas à exclusão da população pobre sejam revertidos para a eliminação dos muros sociais, abstratos. Ao invés de muros que separam, dividem, opõem, desejamos a construção de pontes, de elos, que reconheçam a favela como o que ela é: parte da cidade. Desejamos, isso sim, um real comprometimento com a garantia dos direitos humanos e civis para todos os cidadãos. Por uma sociedade sem muros, convocamos todas e todos para combatermos as barreiras que pretendem nos calar!
Abaixo os muros da Maré! O muro não abafará a nossa voz!
No último sábado rolou na Vila do João um batismo de Capoeira. O batismo foi realizado pelo Mestre de capoeira Berge na sede da Ação Comunitária. O batismo é um ritual importante da cultura capoeirista. Apartir do batismo o capoeirista ganha um apelido e por este passa a ser chamado dentro do universo da cultura capoeirista.
No domingo acontecu na Baixa do Sapateiro um evento chamado pelos organizadores de "Show Gay". O evento foi organizado pelo morador Piquete e ocorreu na rua Oliveira.
Hoje (sábado) O Bloco Se Benze que Dá organiza um protesto contra a construção da "barreira acústica" construida na Linha Vermelha. O protesto será na Praça da comunidade Nova Holanda.
Este blog é editado pelo fotógrafo e Mestre em Antropologia Visual Francisco Valdean.
Um blog voltado para as temáticas: ARTE, CULTURA e processos EDUCATIVOS. Temas de interesse do autor.