30 de dezembro de 2010

O menino e a loira do banheiro

Por Francisco Valdean *    
Vídeo captado com cämera ES65 da Samsung10,2 mega pixels / editado no programa Windows Live Movie  Maker  
Em 2010 iniciei uma oficina de fotografia na Escola Municipal Bahia e Escola Tenente General Napion, a oficina é fruto de uma parceria da Instituição Redes da Maré com as escolas.  
Dentro da proposta de “Pensar, criar e apreciar” a arte da fotografia, surgiu o interesse dos alunos pelo vídeo. Então nos empenhamos na criação de um vídeo. Na busca do  tema surgiu a ideia de realizarmos um curta sobre a lenda urbana “A Loira do Banheiro”. Que é um assunto muito falado pelos aluno na escola. Uma vez feito a escolha do tema fomos a campo conversar com os alunos da (Escola Municipal Bahia ) para entendermos melhor e refletirmos sobre o imaginário coletivo dos alunos da escola acerca da lenda. Como resultado do exercício coletivo criamos um curta de 3 minutos chamado “O menino e a loira do banheiro”.  
Vídeo captado com cämera ES65 da Samsung10,2 mega pixels / editado no programa Windows Live Movie  Maker  
Uma vez o curta realizado fiz outra proposta aos alunos: a de realizarmos uma “videoinstalação”. A videoinstalação tinha como motivação a idiea de compartilharmos a nossa experiência artística com outros alunos da escola.  Os alunos toparam e elaboramos a videoinstalação. A ideia básica era a recriação do espaço de um banheiro e neste espaço exibiríamos o vídeo realizado.  Exibimos o vídeo na escola, não com a estrutura que pensamos, a instalação com mais recursos e em condições equivalente as nossas ideias só foi realizado na Lona Cultural Herbert Vianna na ocasião das comemorações dos 10 anos do Programa de Criança Petrobras, realizado no final de 2010.
Essa é uma das 3 experiências como arte-educador  de 2010 que queria compartilha aqui no blog.
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* Quanto aos equipamentos: a ideia das oficinas era trabalhar com os alunos com equipamentos que eles normalmente tem acesso no dia-a-dia, celulares e cämeras comuns.

29 de dezembro de 2010

"Réveillon" na zona norte do Rio

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Na virada de 2010 para 2011 terá shows e queima de fogos em vários pontos da cidade, dentre um desses ponto será a Igreja da Penha. Os organizadores garante que nesse ano a queima de fogos no alto da igreja será de aproximadamente 20 minutos. 
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Programação no Piscinão de Ramos:
20h às 21h: grupo Nem Te Conto 21h às 22h20: grupo Bom Gosto 22h40 às 23h40: Portela 00h20 às 01h30: grupo Os Muleques 01h50 às 03h: Boca de Siri
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Programação na Ilha do Governador – Praia da Bica: 00h às 21h: Razão Brasileira 21h15 às 22h50: banda Terreirão, com Elson do Forrogode, Luis Camilo e Dhema 23h às 23h50: MC Bruninha 00h15 às 01h15: Swing e Simpatia 01h30 às 02h: grupo Mescla 02h10 às 03h: G.R.E.S. União da Ilha do Governador
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  Programação na Penha:
18h às 19h: Orquestra Tupy
19h30 às 20h30: Banda do Exército
21h às 22h: Projeto Cultural Afroreggae
22h30 às 23h40: Ed Motta
00h30 às 1h40: G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense
02h às 03h: DJ

23 de dezembro de 2010

Bruno Itan: um olhar de dentro do "Complexo do Alemão"

 Autoretrato: Bruno Itan, 22 anos, morador da Grota


Hoje o Blog O Cotidiano recebe a colaboração do fotógrafo Bruno Itan, morador da favela da Grota no "Conjunto de Favelas do Alemão".

Na recente ocupação policial do "Conjunto de Favelas da Penha e Alemão" Bruno registrou de perto a invasão  da polícia, mas foi abordado por policiais e foi obrigado a deletar mais de 450 imagens que havia captado da movimentação das tropas.

O forte do jovem fotógrafo não são os registros da ocupação e sim os registros da vida cotidiana do "Conjunto de favelas do Alemão", atividade que exerce desde que concluiu um curso de fotografia oferecida pelo (Pronasci) no ano de 2007.

Segue algun dos trabalhos de Bruno Itan

 Álbum 1
Registros do cotidiano do "Conjunto de favelas do Alemão"
 
Piscinão do Complexo do Almão
Foto: Bruno Itan

Álbum 2 
Ensaio sobre o Teleférico do "Complexo do Alemão" 
Zona Norte - Rio de Janeiro
Foto: Bruno Itan

Álbum 3
49 fotografias da ocupação do "conjunto de favelas do Alemão"
Complexo do Alemão - Rio de Janeiro - Brasil.
Foto: Bruno Itan

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Por Bruno Itan

Batalhão de fotógrafos e jornalista numa das entradas do "Alemão"

22 de dezembro de 2010

Show com Teatro Mágico, na Tv Cultura


 Foto: Vinicius Campos / divulgação

No dia 25 de dezembro, a TV Cultura exibe, a partir das 23h, um show do grupo Teatro Mágico. O programa é parte do DVD Segundo Ato, que foi gravado entre 5 e 10 de maio de 2009 em São Paulo.

A gravação do DVD conta com participação especial de vários músicos: GOG, Lula Queiroga, Silvério Pessoa, Zé Geraldo. Além dos shows, traz entrevistas exclusivas com a banda.

Neste link, você pode ouvir e baixar as músicas do grupo. Criado há sete anos, O Teatro Mágico mescla, em suas apresentações, performances musicais e circenses. Segundo Ato é também o nome de seu segundo cd, lançado em 2008. O primeiro, Entrada para Raros, é de 2003.

Show Segundo Ato, na TV Cultura
sábado, 25 de dezembro, a partir das 23h

Fonte: Programação Itáu Cultural (via e-mail)

Série - Rascunhos e Pixações

N 1 2 3 4

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Série
Rascunhos e Pixações
N 5
 
 
 Entrada do morro Alvorada no Conjunto de Favelas do Alemão, Rio de Janeiro / negativo
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As mensagens deixadas nas paredes, as “pixações” e imagens me chamam atenção e as vezes faço fotografia destas, mas nunca sei o que fazer com elas. Então resolvi que vou publicá-las aqui no blog sobre o título “ Série - Rascunhos e Pixações”.
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21 de dezembro de 2010

“O funk é o jornal do favelado”

“convidamos jornalistas, intelectuais, funkeiros, cidadãos, artistas, políticos, policiais e toda a sociedade para discutir o maior fenômeno cultural de massas da atualidade: o funk carioca".


O debate acontece amanhã (quinta feira) às 10h, no cinema Estação Botafogo 2. Após o filme “Favela On Blast” terá um bate-papo com os seguintes convidados:


Leandro HBL – Diretor do filme “Favela On Blast

MC Leonardo – Apafunk

Orlando Zaconne – Delegado da Polícia Civil RJ

Sany PitBull – Dj e produtor de Funk

Marcelo Silva – Red Bull Brasil

Renato Barreiros – Ex Subprefeito da Cidade de Tiradentes SP

O bate-papo será em torno das prisões dos Mc's cariocas acusados de apologia ao crime e assossiação ao tráfico de drogas.

Assuntos relacionados
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Lei Maria da Penha em Cordel



Lei Maria da Penha em Cordel do repentista Tião Simpatia via ( Boletim do @NPC_ ) Tião é  cantor, compositor e repentista e compôs o cordel com os principais artigos da Lei Maria da Penha. A linguagem é simples e objetiva para facilitar o entendimento de todos e todas.

.
      I
A Lei Maria da Penha
Está em pleno vigor
Não veio pra prender homem
Mas pra punir agressor
Pois em "mulher não se bate
Nem mesmo com uma flor".
.
II
A Violência Doméstica
Tem sido uma grande vilã
E por ser contra a violência
Desta Lei me tornei fã
Pra que a mulher de hoje
Não seja uma vítima amanhã.
(...)

O cordel "A Lei Maria da Penha" está no blog de Tião Simpatia

20 de dezembro de 2010

Série - Retratos Cariocas

Nº1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1112 13 14 15 16 17 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33
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Série
.........................................Retratos Cariocas........................................
 Favela Santa Marta, Rio de Janeiro.
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Retratos Cariocas é uma série de fragmentos do cotidiano da cidade do Rio captados em imagens nos últimos 6 anos. Em 2004 comecei a fotografar e como parte do exercício de olhar a cidade pela lente de uma câmera registrei algumas das imagens que estou aqui chamando de retratos. Alguns dos cliques eu nunca publiquei em nenhum lugar, primeiro por falta de espaço e segundo por considerar algumas das imagens como sendo apenas um exercício fotográfico.
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Implosão do Hospital do Fundão


Implosão de anexo do Hospital Universitário Clementino Fraga no fundão, a seqüência de imagens é do fotógrafo AF Rodrigues. Para conhecer melhor o trabalho do fotógrafo acesse sua página  do flicker http://www.flickr.com/photos/af_rodrigues/


Implosão do HU

19 de dezembro de 2010

Babilônia e Chapéu Mangueira

Em primeiro plano o morro da Babilônia e em segundo o morro Chapéu Mangueira, ambos ficam no Leme, Zona Sul do Rio.

Estima-se que as duas comunidades juntas têm aproximadamente 7 mil moradores. Babilônia e Chapéu Mangueira estão ocupadas pelas (Unidades de Polícia Pacificadoras) desde junho de 2009.

16 de dezembro de 2010

Morro do Alemão

Morro do Alemão, Rio de Janeiro

Vila Harmonia - Remoção

Vila Harmonia- Recreio


Prefeitura está neste momento forçando a demolição de casas na Vila Harmonia

Ontem, a sub-prefeitura da Barra esteve no local disse que os moradores teriam que sair de suas casas até meia noite.

Omoradores não aceitaram sair e, com isso, os representantes da sub-prefeitura voltaram hoje pela manhã e estão forçando a demolição de casas. Os moradres mais uma vez resistiram e não deixaram eles derrubarem as casas, mas a Polícia Civil e os representantes da sub prefeitura ainda estão no local forçando a demolição de algumas casas.

Uma oficial de justiça já explicou aos funcionários da sub-prefeitura que as pessoas não podem sair, já que não foi mostrado nenhuma intimação e nenhuma ordem de despejo.

Mais notícias...

No início desta tarde, alguns moradores negociaram a demolição, e suas casas estão sendo demolidas.

A Defensoria Pública, a Comissão de Direitos Humanos, a Rede Contra Violência e outros movimentos sociais estão no local apoiando os moradores que não querem perder suas casas.

Fonte: Jornal O Cidadão

15 de dezembro de 2010

Série - Rascunhos e Pixações

N 1 2 3
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Série
Rascunhos e Pixações
N 4


 Imagem Captada no Morro Santa Marta / negativo
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As mensagens deixadas nas paredes, as “pixações” e imagens me chamam atenção e as vezes faço fotografia destas, mas nunca sei o que fazer com elas. Então resolvi que vou publicá-las aqui no blog sobre o título “ Série - Rascunhos e Pixações”.
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14 de dezembro de 2010

A favela na telona pintada por “nós mesmos”?

Sobre o filme 5 vezes favela agora por “nós mesmos”

No dia 11 de setembro de 2010, por volta das 11:00 horas da manhã uma platéia de 100 jovens gritavam em um só coro pedindo novamente a exibição do filme 5 vezes favela agora por “nós mesmos”. O ocorrido se deu ao final de uma sessão no Ponto Cine de Guadalupe quando o filme foi exibido para um grupo de jovens moradores da Maré.

No filme 5 vezes favela agora por “nós mesmos”, elementos do universo “favelado” são apresentados de uma forma que não são em outros filmes que falam sobre favela, e isso poderia ser o diferencial da obra, mas não é. Assim como os tantos filme já produzidos sobre as favelas o agora feito por “nós mesmos”, repete a maioria dos equívocos já visto em outras obras que tem como tema a favela. E por este aspecto não vejo muita diferença entre este filme e os demais filmes.

Em 2004 ingressei no projeto Imagens do Povo da Instituição Observatório de Favelas, onde passei por um processo de formação em fotografia no curso da Escola de Fotógrafos Populares. Além da formação técnica o curso focava na formação crítica das produções sobre os espaços “favelados”. Apesar de ainda ser uma atividade em processo tenho uma certeza, as nossas produções, na medida do possível, não podem, ou pelos menos, não devem repetir os equívocos das produções que criticamos pelas suas incoerências.

Há pelo menos duas formas de ver o filme 5 vezes favela agora por “nós mesmos”. No tocante obra de arte, na questão que envolve técnica, considero um bom filme. Porém há uma outra dimensão a ser vista na obra. Os produtores argumentam que não é um filme representativo, por tanto não se compromete com uma realidade da favela, é uma ficção que fala de favela. Mas não há como negar que o filme reforça um determinado retrato do “favelado” e de suas questões. É este aspecto do filme que me interessa.

Junto com o filme foi publicado um livro de mesmo nome 5 vezes favela agora por “nós mesmos”. Na seção dos diários das oficinas encontrei um trecho documentado no dia 11 de maio de 2009 na oficina de ficção ministrada por Fernando Meireles. Vendo o filme do lado de cá é impossível apreciá-lo só como obra de arte. É preciso que se olhe também para o retrato que este reforça da favela. E ainda mais quando este retrato é pintado por “nós mesmos”. O trecho do texto em questão se encontra na página 68 do livro registrado no 29ª dia de oficina. Segue reprodução.

Segunda-feira, 11 de maio de 2009, 
29ª dia de oficina, Ficção com Fernando Meirelles

 “Fernando disse que não devemos ter pudores para construir uma ficção. Podemos mudar os personagens ou as cenas, se isso tornar o filme melhor. Outra coisa importante é o erro. O erro é a vida do filme, o certo é chato demais. Ainda em cidade de Deus, o Buscapé era o personagem principal, mas o Zé Pequeno rouba a cena. Esse é um exemplo de um erro proposital que funciona muito bem"

A ideia de “erro proposital” em nome do sucesso da obra dá conta de um questionamento que tinha quando participei da oficina de roteiro do episódio “Deixar Voar”, na etapa inicial do projeto “5 vezes favela agora por eles mesmo”. Na época questionava que as produções cinematográficas sobre favela pecam ao transformar assuntos aparentemente secundários em assuntos principais, valorizando questões estranhas, que pelo menos em discurso não devia ser uma preocupação da arte ou do artista que cria tais obras. Além do mais tinha em meus questionamentos o argumento de que as histórias das favelas, verdadeiramente, não tinham vez nesse tipo de cinema, elas estão lá, mas estão sufocadas em nome de outras questões. Na “telona” as histórias das favelas, quase sempre, são correlacionadas com a história do tráfico e a confusão é tanto que a história do trafico parece ser a própria história das favelas cariocas. E isso, a meu ver, não deveria ser um ponto em que um filme feito por nós devia seguir, a não ser que este fosse claramente o recorte.

Numa leitura mais detalhada dos episódios que compõem o longa 5 vezes favela agora por “nós mesmos” o que questiono parece ficar mais claro.

Episódios "Fonte de Renda"

Maycon, um jovem morador de favela, após ingressar num curso universitário, diante das dificuldades enfrentadas. Dificuldades reais que nós jovens de origem pobre enfrentamos para permanecer em um curso universitário. Até esse ponto não há qualquer problema, o problema começa quando Maycon começa vender drogas para se manter no curso. Entendo a crítica sobre a condição do estudante universitário pobre, mas o tal do “erro proposital” transforma a crítica em um mero elemento da trama e o que passa a prevalecer é o estigma do “favelado” culpado pelo comercio de drogas, reforçando a imagem de “culpa” das favelas pelo tráfico de drogas na cidade. Conheço universitários pobres / “favelados” que enfrentam muitas dificuldades para continuarem num curso universitário e a solução quase nunca é vender drogas e tenho dúvidas se fariam isso mesmo em nome da boa causa: formação universitária. Muitas das vezes é preferível desistir, que é o mais comum. Por tanto há no episódio um “erro proposital”, consciente ou inconsciente ele está lá. A crítica a dificuldade do pobre universitário poderia, na minha concepção, ser feita sem reforçar velhas imagens construídas sobre os “favelados”, garanto que no universo dos universitários pobres se consegue encontrar histórias de “fonte de renda” muito mais inspiradoras.

Episódio "Arroz com Feijão"

Dois meninos, Wesley e Orelha começam uma espécie de aventura para comprar um frango para presentear o pai de Wesley que há tempos não come carne. É engraçado e causa risadas. Apesar de singelo é um episódio que aborda questões complexas do universo do “pobre”. Neste também existe o “erro” que não tem as mesmas implicações dos demais. Os meninos “favelados” são roubados por jovens “não-favelados”, o fato contraria a ideia preconceituosa do “favelado” delinqüente, mas ao mesmo tempo a ideia da delinqüência é reforçada com o roubo do frango. Seguindo a lógica com que os fatos são apresentados nos episódios é possível fazer a seguinte leitura: as condições adversas levam o ator “favelado” a cometer delitos, mas na primeira oportunidade redime-se, fazendo a coisa certa. Esse é um fato também presenciado nos episodio “Fonte de renda”, a última “carga” é por conta de Maycon. É verificado no episódio “Acende a Luz”. Após o problema da luz parcialmente resolvido, o homem feito de refém é convidado a comemorar com os moradores.

Episódio "Concerto para Violino"

O episodio “Concerto para Violino” de um ponto de vista, estritamente artístico, é a meu ver o mais plástico e abordar com alguma poesia a história de amizade de infância de 3 amigos. Mas é o episódio que levou ao extremo o tal do “erro proposital”. A história dos 3 amigos de infância (um se torna policial, outro traficante e a menina violonista) é brutalmente dilacerada em nome sei lá do que. Mas pensando bem que tipo de mercado do cinema se interessaria pela história de amizade de 3 “favelados”? Na minha concepção é o episódio que toca nas questões de mais complexidades existente no universo social das favelas cariocas. A questão de uma forma moralista é abordada no início do filme na fala do personagem Maycon quando diz que a favela é o lugar “Onde o certo e o errado se misturam. - Onde é no mundo que isto não ocorre? A tolice do filme é a valorização da história do tráfico. Isso é um “erro proposital”? liberdade artística? Ou será que a história foi contada assim por ser impossível contá-la de outra maneira? A Resposta é simples, é possível contá-la de outra maneira. No dia 9 de novembro assisti na “Mostra Cinema Negro” o documentário “Copa Vidigal” de Luciano Vidigal, mesmo diretor do episódio “Concerto para Violino”. O “Copa Vidigal” fala de uma copa de futebol ocorrida no morro do Vidigal. O que motiva Cipa, um líder comunitário realizar a copa é um conflito entre facções criminosas ocorrida tempos antes, e a abordagem da mesma questão é diferente. É claro que tem que se considerar que o “Concerto para Violino” é uma ficção e o “Copa Vidigal” um documentário, um foi feito para o cinema e o outro não, um tem orçamento e o outro não. Mas isso só reforça o que venho questionando, não será na “telona” que “nós mesmos” contaremos nossas histórias, e mesmo que sejamos convidados a contar serão contadas como foi no filme 5 vezes favela agora por “nós mesmos”.

Episódio “Deixa Voar”

Este foi o episódio que em 2006 contribui escrevendo a primeira versão do roteiro. Quando em 2006 fiquei sabendo da ideia me empolguei, vi na proposta a possibilidade de contribuir com um filme que retratasse as histórias ocorridas nas favelas segundo nosso ponto de vista. Mas logo descobri que nossas histórias neste formato de cinema, até o filme 5 vezes favela “agora por nos mesmos” estão fadadas a serem contadas assim. Neste tipo de cinema a possibilidade de “nós mesmos” contarmos as nossas próprias histórias erroneamente são muitas, primeiro por não haver interesse do mercado financiador por histórias humanas existente nas favelas, até há interesse, desde que, se inclua nestas os “erros propositais”. É assim no filme “Cidade de Deus”. É assim no filme “Era Uma Vez”. É assim no filme “Show de Bola”. É assim no filme “Maré Nossa História de Amor” e em todos os filmes que eu já vi sobre favela. E por incrível que pareça é assim no filme 5 vezes favela agora por “nós mesmos”. O “erro proposital” nos outros filmes é esperado, agora o “erro” aparecer no filme feito por “nós” é no mínimo curioso. Se é um “erro proposital” poderia não ser, por tanto, não é um problema da sétima arte em si. O “erro” é um mecanismo que pode ser manipulado, segundo a vontade do artista, como é no caso do episódio “Arroz com Feijão”.

Voltando ao episódio “Deixa Voar”. A pipa voa e cai na favela dos “alemão”. Flávio é coagido a buscar a pipa. Eu votei no argumento “Deixa Voar” do Cadu, por ver neste argumento a possibilidade de falarmos de uma questão presente no cotidiano da Maré. Na minha concepção podíamos contar a história da pipa com toda poesia e sem deixar de ser crítico com o problema que aborda o episódio, e principalmente sem cair nas “pastelagens” de outros filmes. Na época nem sabia se tudo isso que imaginava era possível colocar em um filme de 20 minutos, mas pelo menos era movido pela vontade de que era possível.

Entendo que uma obra de arte não pode responder pelas questões que estão além dela, mas também não pode, quando questionada ter como resposta que questões políticas não é coisa da arte. Isso simplesmente não é verdade. Não podemos nos apoderar da arte e repetir o que dizem sobre nós, isso é no mínimo incoerente com nossas histórias pessoais e com as histórias que nos inspiram. Se as histórias eram por nós mesmo, pensava que devíamos pelo menos nos esforçar para fazer diferente. Se o formato do projeto 5 vezes favela suportava é outra questão.

Episódio "Acende a luz"

A sensualidade marca o episódio. Os moradores com um problema de energia na noite de natal fazem de refém um funcionário da companhia elétrica.

A questão problemática se revela na fala dos personagens, não tenho intenção de entrar no universo psicológico dos personagens, mas julgo interessante analisar também em outro momento. As falas no episódio reforçam a ideia da favela como o lugar “perigoso”.

- isso aqui é favela! Diz um dos personagens da ficção na tentativa de intimidar o funcionário da companhia elétrica. O medo é também um fato presente no psicológico do personagem feito de refém. A questão vista minuciosamente pode ser verificada em outras falas nos demais episódios do longa.

Em linhas gerais, todo o filme reforça um retrato dos “favelados” e de suas questões. A condição leva o “favelado” a cometer delitos. Seja vendendo droga, seja roubando uma galinha, seja na condição de traficante, ou quando fazemos de refém um trabalhador de uma companhia elétrica que não nos presta um serviço adequado.

Considero o filme importante, não pelos mesmos motivos que considera os produtores e boa parte da crítica. Acho que a obra enquanto documento artístico tem sua importância, ainda mais quando este documento em parte foi escrito por “nós”. Quanto ao retrato que reforça do universo “favelado” não me agrada muito. Numa avaliação fria levando em conta só os elementos artísticos e o fato de ter sido, em parte, feito por moradores de favela a obra merece aplausos e compartilho o mesmo sentimento que presenciei lá no Ponto Cine em Guadalupe, no dia 11 de setembro, quando o filme foi exibido para os jovens moradores da Maré. Espero que muitos filmes sobre nós sejam feitos por nós mesmos. Tendo este como parâmetro, acho que neste tipo de cinema não vamos contribuir com as rupturas dos estigmas, na verdade se “nós” não criarmos de forma crítica, neste tipo de cinema "nosso" papel será de legitimadores do que historicamente se diz sobre nós. Das varias críticas que li sobre o filme o que sobressai, quanto ao diferencial da obra não é em termos de conteúdo e sim pelo fato de ter sido o filme feito por moradores de favelas. Esse é um aspecto importante? Evidente que sim. Se o filme tivesse sido escrito e dirigido por 5 jovens de classe média como é o caso do primeiro “5 vezes favela” talvez nem perdesse meu tempo escrevendo qualquer opinião a respeito. Mas a obra leva em seu título o “agora por nós mesmos” e isso é importante. As obras por nós mesmos, na minha concepção, merecem empenho redobrado e não é por causa da ideia tosca de que não “somos capazes”, se assim fizermos estamos reforçando a tola e descabida ideia. O empenho tem que ir além da técnica e estética. O empenho também deve ser no nível político.

Pré-vestibular (Maré) abre vagas

Divulgando

Fonte: Redes da Maré



Da Maré para a universidade

Em dez anos de existência, o Curso Pré-vestibular da Redes (CPV Redes) contribuiu para o acesso de mais de 800 estudantes moradores do bairro da Maré ao ensino superior. As inscrições para as turmas de 2011 estão abertas e vão até 13 de janeiro

Nascido da iniciativa de moradores e ex-moradores da Maré que chegaram à universidade, o CPV Redes oferece, para o primeiro semestre de 2011, 185 vagas, todas no período noturno.

As aulas acontecerão em dois locais: na sede da Redes, na Nova Holanda, com turmas para 125 estudantes, e na Vila do João, com turmas para 60 alunos. Jovens moradores da Maré têm prioridade de acesso ao curso, cujo objetivo principal é – além da aprovação em exames vestibulares – favorecer a formação crítica e política de seus alunos.

Uma das metas do projeto é levar os estudantes a participar de iniciativas sociais como forma de contribuir para sua formação. “Queremos que os próprios moradores da Maré sejam protagonistas das transformações que desejam vivenciar”, esclarece Tiago Cavalcante, coordenador do CPV Redes.

Esta concepção de aprendizado, integrada à percepção do papel do indivíduo como agente social, tem propiciado aos alunos - além de uma educação de qualidade - a conquista de uma consciência cidadã e humana, cuja atuação ultrapassa os limites da Maré e se estende para os diversos espaços do mundo globalizado.

“Nesse sentido, incentivamos o alunos a frequentarem regularmente as aulas, participarem dos eventos e se apropriarem do projeto”, explica Tiago Barglin. “É muito importante o compromisso do estudante, não como mero aluno, mas como parte fundamental de um ideal maior: o de construir, por meio da educação, um mundo mais justo”.


Aprendizado também fora da sala de aula

Além do aprendizado em sala de aula, o CPV Redes busca a ampliação do capital cultural dos estudantes, promovendo aulas-campo em importantes pontos históricos como museus, teatros, bibliotecas e casas de cultura do Rio de Janeiro, Paraty e São Paulo.

As aulas regulares, que contemplam dez disciplinas exigidas nos vestibulares, são realizadas de segunda a sexta. Aos sábados, acontecem atividades extras, com exibições de vídeos, debates e atividades complementares.


Favela Santa Marta

Favela Santa Marta, Rio de Janeiro, 2010



No último sábado no "Alemão"


No último sábado artistas e membros de entidades da cidade se reuniram num em Ramos para discutir o ocorrido no conjunto de favelas do “Alemão”. Entre os participantes, o cantor Tico Santa Cruz, membros do grupo Ponto de Equilíbrio, o DJ Marcelinho da Lua e representantes da Feira Hippie de Ipanema e do Circo Voador e grande presença de artistas e lideranças do “Conjunto de favelas do Alemão”.

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 Poeta, morador do "Conjunto de favelas do Alemão


Tico Santa Cruz e Poeta morador do "Conjunto de favelas do Alemão

13 de dezembro de 2010

Cotidiano "Conjunto de Favelas do Alemão"




10 de dezembro de 2010

Propaganda no busão



Hoje entrei no ônibus e logo me chamou atenção uma propaganda de uma operadora de celular. Aquele ‘treco” onde o passageiro apóia a mão agora é um espaço de propaganda, além de se andar nos ônibus lotado, ainda teremos que aturar essas propaganda dentro das nossas caras. Esse deve ser o presente de natal das empresas e do prefeito aos usuários dos serviços.


Bilhetes nas portas das casas na favela Alvorada


Os moradores da comunidade Alvorada no Conjunto de favelas do Alemão não agüentando mais as revistas feito em suas casas começaram a colocar nas portas avisos dizendo que aquela residência já havia sido revistada.

 Algumas das portas em que vi os bilhetes





Circulando 7

Divulgando

Mais informação em: http://raizesemmovimento.blogspot.com/

8 de dezembro de 2010

#Agenda (Cultura, Diversão, ETC)


#Agenda
(Cultura, Diversão, ETC)
Nº 03 - Ano I


Agenda (Cultura, Diversão ETC) é uma iniciativa do Blog O Cotidiano. A agenda destina-se a divulgação de atividades (Culturais, Diversão, ETC) que ocorrem no bairro Maré.


#Agenda  
(Cultura, Diversão ETC)


Hoje na Lona Cultural Herbert Vianna


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Samba no museu

Sexta-feira, dia 10 de Dezembro, é dia de samba no Museu!

GRUPO OPAXORÔ e seus convidados:

- RENATO DA ROCINHA (Grande revelação do samba carioca)

- THIAGO THOMÉ (do sucesso "Da pele preta", vencedor do PretainFestival 2010 - Feira Preta/SP)

- Bateria da União da Ilha com o Intéprete ITO MELODIA ("...caraaaamba, segura a mariiiiiiimba...")

Mulheres R$ 4,00, após às 22:00hs, e homens R$ 6,00. Um abraço.


APRESENTAÇÃO: TETEU JOSÉ

Abertura: Grupo Nova Raiz.

Museu da Maré
AV. Guilherme Maxwell, 26 - Maré
Tel.: (21) 3868-6748 (21) 3868-6748 
Referência: Rua da  Passarela 07 da  Av. Brasil, em frente ao SESI
 
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Ainda na sexta, dia 10

Na lona Cultural Herbert Vianna
 



4 de dezembro de 2010

Poesia Engajada


Por Viviane Oliveira


Guliver, um jovem poeta periférico