30 de julho de 2011

Imagens da "Marcha por uma Copa do Povo"



Foto: Francisco Valdean

Imagens da "Marcha por uma Copa do Povo" realizada hoje no Rio de Janeiro.

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29 de julho de 2011

Programa “Funk Nacional” na rádio Nacional AM 1130



Hoje fui assistir ao programa “Funk Nacional” na rádio Nacional AM 1130. O programa é apresentado pela galera da APAFUNK e vai ao ar de segunda a sexta às 15:00 hs para todo o Brasil.



Equação do legado da Copa: o lucro fica com os empresários e a divida com o povo

Os preparativos para a copa e olimpíadas tem sido em excesso. São muitas as remoções, são muitos os desrespeitos com a população favelada, mas a ordem é que tudo dê certo em 2014 e em 2016. Certo para quem?


É teleférico no Alemão é teleférico na Providência para turistas contemplar a favela. É UPP para garantir sensação de segurança aos visitantes do mega evento, e os habitantes da cidade?

Outro dia (20/06/2011) se lia num jornal aqui do Rio o seguinte:


“A ocupação da Mangueira realizada ontem por cerca de 750 policiais civis e militares, com o apoio das forças armadas, abre espaço para o fechamento do cinturão de segurança em torno do palco principal da copa do mundo de 2014: o Maracanã”.

Por tudo que já aconteceu e pelo que ainda acontecerá na cidade no dia 10 de julho ocorre uma mega manifestação a partir das 10 horas no Largo do Machado, Rio de Janeiro.



28 de julho de 2011

Marcha por uma Copa do Povo: Largo do Machado, dia 30 de julho a partir das 10h










Os governos falam o tempo todo que a Copa e as Olimpíadas trarão benefícios para o Rio e para o Brasil. Mas benefícios pra quem? O custo de vida e o aluguel não param de aumentar, famílias são removidas das suas casas, ambulantes e camelôs, proibidos de trabalhar.

Mais: eles estão gastando dinheiro público nas obras e apresentaram uma lei para não prestar contas depois. Pra piorar, a Fifa, a CBF e o seu presidente, Ricardo Teixeira, organizadores da Copa, sofrem várias denúncias de corrupção.

Tudo indica que com a Copa e as Olimpíadas vamos repetir em escala muito maior a história do Pan-americano de 2007: desvio de dinheiro público, obras grandiosas, mas inúteis depois das competições, benefícios só para os empresários amigos do poder e violação dos direitos de milhares de brasileiros.

As remoções de famílias atingidas pelas obras estão acontecendo de forma arbitrária e violenta. Essa situação já foi denunciada inclusive pelas Nações Unidas. Os jogos estão sendo utilizados como desculpa para instalar um verdadeiro Estado de Exceção, com violação sistemática dos direitos e das leis.

Deste jeito, qual será o legado dos megaeventos? A privatização da cidade, da saúde e da educação? A elitização do futebol e dos estádios? O lucro e os benefícios com isenções e empréstimos subsidiados com o nosso dinheiro para empreiteiras? O lucro da copa é dos empresários, mas a dívida é nossa. Vamos permitir que as histórias da Grécia e da África do Sul se repitam?

Junte- se a nós! Vamos juntos mudar este resultado, venha lutar.

Venha bater uma bola com a gente no Largo do Machado,
dia 30 de julho a partir das 10hs
indo em direção da Marina da Gloria

Remoção zero!

Cidade não é mercadoria!

Não a privatização das terras e recursos públicos, dos aeroportos, da educação e da saúde.
Comitê Popular Rio da Copa e das Olimpíadas
http://comitepopulario.wordpress.com/

27 de julho de 2011

Olhando daqui reconheço muito pouco da Maré descrita



Em 20 de setembro de 2010 o Portal IG publicou um perfil do jovem Chicão, músico filho da cantora Cássia Eller. Na ocasião o jovem se apresentava com a banda "Zarapateu" na Lona Cultural Herbert Vianna, localizada na comunidade Nova Maré. Na mesma ocasião o site também publicou um segundo texto descrevendo o lugar onde o músico se apresentaria.

Ao ler o texto que descreve e localiza a Maré (olhando daqui) é quase impossível não ter vontade de opinar sobre as informações, principalmente, sobre o tom preconceituoso impresso no texto.

A abordagem que o texto faz da Maré é uma abordagem comum e veiculada diariamente nos veículos de comunicação da cidade. Mas alguns casos chamam mais atenção que outros, como no caso de uma matéria chamada “Trocando armas por socos” publicada na revista Playboy, no ano de 2005, esta fez uma abordagem parecida com o texto publicado em 2010 no Portal IG.  

Colocado as questões escrevo a seguir comentários a partir de trechos dos textos em questão. Abaixo colei linques para os textos referencias.





Portal IG
20/09 - 11:57hs

Por Valmir Moratelli
IG Rio de Janeiro




IG "Não é fácil chegar à Lona Cultural Herbert Vianna
O tom negativo inicial é o anuncio do que se ler pelas muitas linhas de todo o texto. O ar negativo do texto pode ser evidenciado na frase “não é fácil”, e pode ser confirmado pela forma como alguns elementos da vida cotidiana da Maré são abordados pelo repórter. Os elementos eleitos: “valão fedorento”, “divisa marcada por guerras de facções”, “gente para todos os lados”, “ruelas apertadas”, “pessoas armadas”, “muito barulho” e “difícil acesso”.

O valão localizado nas proximidades da Lona, ganha no texto o aspecto de fedorento e a céu aberto. Não é demais dizer que em toda a cidade não é incomum encontrar valões a céu aberto. Quanto ao cheiro: - em um valão corre coisas sujas que não podem ter aroma de flores do campo.

IG "O odor de esgoto a céu aberto é sentido de longe"

O olhar da vivencia pode ter “vícios” e não enxergar determinados aspectos da realidade, mas o olhar turístico leva a equívocos e conclusões preconceituosas. Diariamente passo por este e outros valões da Maré e não sinto cheiro nenhum. Já o amigo repórter com seu olhar torto de turista só conseguiu ver o valão a céu aberto e sentir o odor que exala dele.

IG "ruelas apertadas, biroscas dominando as calçadas com TV’s ligadas e gente para todos os lados"

Aqui a vida é pulsante e é assim mesmo. Qual o problema de ser assim?

IG "Uma moto cruza o caminho em frente com dois homens, um deles parece portar um fuzil. "

O repórter ao ver dois homens numa moto supõe que um deles esteja armado com um fuzil. O jornalista não tem certeza, e admite, “um deles parece portar um fuzil”.  É aquela coisa: primeiro acha e atira e depois pergunta. Recentemente no Morro do Andaraí um homem que fazia reformas em sua casa com uma máquina de furar foi atingido com tiro que partiu de um policial. O policial achou que o homem estava armado, atirou e depois verificou que se tratava de um morador fazendo reparos rotineiros em sua residência. 

Na Maré os exemplos que evidencia a prática “primeiro achar e atirar para depois verificar”, são muitos, só para ficar em casos mais recentes e mais conhecidos: Felipe dos Santos de 17 anos, Matheus de 8 anos e Renan de 3 anos. Todos foram mortos segundo a lógica, primeiro atira e depois verifica.

O mais assustador é que a prática não é só policial. A coisa parece ser uma prática da imprensa também.

IG "Única opção de lazer na comunidade"

Isso não é verdade. A Lona nunca foi e se pretendesse ser a única opção de lazer seria um completo e total absurdo, mas a informação do jornalista serve para evidenciar a precariedade da produção de informações sobre as favelas e a dificuldade das favelas serem percebidas como parte da cidade. Mas, quero acreditar que se o repórter tivesse se preocupado um pouquinho com o seu fazer jornalístico teria encontrado informações a respeito do entretenimento na Maré. Se tivesse tentado se informar talvez pudesse ter encontrado informação de que por aqui acontecem inúmeros “shows de forró” improvisados pelos bares e “biroscas”, talvez tivesse ficado sabendo do tradicional  forró da Praça do Parque União. Talvez tivesse encontrado informações sobre os bailes Funks e pagodes que ocorrem pelas ruas da Maré. Se tivesse feito um pouco de esforço teria ficado sabendo dos shows de Rock que às vezes acontecem. Se tivesse prestado atenção nas faixas, talvez tivesse visto até os anúncios das inúmeras festas do tipo: “Tapa na peteca” e mais uma porção de outras atividades que ocorrem na frenética rotina da Maré.

IG "A programação vai do samba ao funk que, curiosamente, não costuma lotar a Lona"

Sobre esse trecho do texto tenho algumas imagens para mostrar do espaço da Lona*.
 
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IG  "Não há previsão de ocupação policial na região, nem obras de saneamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)."

Não tenho qualquer informação sobre o assunto, mas acredito que a Maré não entrou no programa por ser considerada uma favela que não necessita de obras urgentes como algumas favelas que entraram no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O que não é inteiramente verdade. Qualquer bairro da cidade precisa de obras constantemente e não pode ser diferente com a Maré.

Para além dos serviços mais básicos existe a questão dos espaços culturais pensados ou fomentados pelo poder público. Por aqui pensado pelo Governo existe apenas uma Lona Cultural que por uma questão de proporção já seria insuficiente. Se nos bairros vizinhos houvesse espaços culturais talvez nem fosse tanto problema, mas o problema é que estes espaços não existem na Maré e nem nas proximidades.

O repórter podia ter voltado seu olhar turístico para a própria estrutura da Lona que é um espaço desconfortável, fica difícil passar mais de uma hora sentado sobre um banco duro feito de cimento e pedra. Assistir a um show de musica ou ver uma peça de teatro num espaço onde a preocupação com a acústica e o conforto parece não ter existido. Ou seja, não é lá um espaço muito convidativo e isto contribui para o esvaziamento em determinadas atividades que ocorrem no espaço.

O que tem a ver o assunto de saneamento básico e segurança pública com uma matéria de perfil de um músico? Particularmente acho que nada, mas acho que Segurança Pública vai além da ocupação policial das favelas e choque de ordem, serviços nas áreas da cultura, educação e oportunidades é a forma correta de tratar a questão da Segurança Pública de uma cidade como o Rio de Janeiro. 

IG "Os organizadores da Lona querem atrair mais gente para o espaço, ainda que esta pareça ser uma tarefa difícil" "Não só pela violência vizinha como pelo complicado acesso"

O “difícil” ou o “não é fácil” norteia o texto do início ao fim, o que leva intuir não ser só uma questão semântica. Quanto ao uso do espaço e sua funcionalidade é uma tarefa de quem o administra. Já a informação do complicado acesso chega ser cômico. 

Pode se chegar na Lona Herbert Vianna por vários acessos. O mais fácil e mais rápido é pela Av. Brasil. Acho que foi esse o caminho feito pelo repórter. Se foi, ele entrou na rua Dezessete de Fevereiro e depois seguiu pela rua Ivanildo Alves, ou seja, é uma reta. Todo o trajeto entre Lona e Avenida Brasil não leva mais do que 3 minutos.

IG "para se chegar ao point da cultura em uma área tão degradada da cidade"

O repórter conclui falando em degradação, fechando o texto com o mesmo tom negativo que iniciou.
Se a intenção do Portal IG era fazer críticas aos serviços públicos, fez na verdade o que a imprensa faz com freqüência: olhar para as favelas por uma lente turva que só consegue enxergar aspectos negativos. É este um ponto de vista possível? Sim, e seria ingenuidade achar que os problemas dos espaços que se convencionou chamar de favelas seja só no nível do olhar. Mas as solução de um problema depende do olhar que se lança para este.

Olhando daqui sou levado a crer que o ponto de vista que só vê negatividade no modo de viver nas favelas, não contribui para superar os problemas evidenciados. Olhar para as questões das favelas implica ter que olhar para as mesmas questões, independentemente qual seja o ponto de vista. O que ocorre no caso do recorte pela via negativa é que esta só enxergar nas favelas as faltas e tributa os problemas evidenciados na conta de quem certamente não é o responsável por estes.

Olhando daqui é isto que tenho a dizer sobre a opinião de um texto que faz uma descrição equivocada, e preconceituosa sobre questões que deviam ser entendidas como uma questão da cidade e não de um bairro.

* As imagens foram captadas na administração anterior a Redes da Maré.

23 de julho de 2011

Projeto Morrinho

Projeto Morrinho, Rio de Janeiro.


22 de julho de 2011

Palmeiras

Imagem com aplicações de filtros do Photoshop


20 de julho de 2011

Praça Américo Brum na Providência : espaço de memória





Moradora da Providência segura livro que contém uma imagem do espaço onde foi contruido a Praça Américo Brum, que atualmente é uma quadra. Ao fundo trabalhadores marcando o espaço para perfurarem, no local da praça segundo os moradores será construido uma das estaçoes do teleférico. A obra de demolição do espaço começou no dia 19/07/2011.

A imagem é do fotógrafo Augusto Malta. 

19 de julho de 2011

Hoje na Providência

Protesto de moradores da Providência contra obras do "Porto Maravilha e "Morar Carioca".

Hoje na Providência



Sinceramente queria ter ido ao morro da Providência para documentar, uma feijoada, um bingo, um jogo de futebol, qualquer que fosse o fato que não fugisse da rotina cotidiana da comunidade, que é na real o que pretendo com este blog.

Mas fui lá hoje para documentar e de alguma forma contribuir com a luta silenciada de alguns moradores.

O fato
Na comunidade (Morro da Favela/ Providência) ocorre há muitos dias um descontentamento por parte de alguns moradores com as obras do “Porto Maravilha” e “Morar Carioca”.

Ontem
Moradores se mobilizaram para impedir o início das obras de demolição da quadra Américo Brum no alto do Morro. Que antes era uma praça e agora possivelmente será a estação de um teleférico. Segundo os moradores a demarcação do terreno começaria ontem, mas devido às pressões os operários não perfuraram ontem.

Hoje
Hoje cheguei (s) ao local por volta das 7:40, lá se encontravam 3 carros de Polícia e logo em seguida chegou os trabalhadores que dariam início as demarcações e perfurações para a implantação de uma das torres do teleférico que ligará a cidade do Samba a Central do Brasil, somando 3 estações.

Os moradores
Rosiete Marinho, 50 anos líder comunitária. Ao perguntá-la sobre quantas casas seriam removidas, ela não teve dúvida, “70% das casas”.

Enquanto as brocas perfuravam o chão batido pisado e construído pelos moradores, cartazes iam surgindo junto com a sensação de indignação.

O choro é algo insuportável e mais ainda quando o choro é de um Sr de 63 anos, era um choro de indignação misturado a sensação de impotência diante de um fato que o atingia diretamente. Seu Nélio chorou e gritou alto para quem quisesse ouvir. “Sou nascido e criado aqui”, “eles chegam aqui na marra, não nos perguntaram nada!, não perguntaram se era possível fazer a obra”  e concluiu “queremos obras necessárias” “não queremos Centro Esportivos, nós já temos a quadra, não queremos mais nada”.



O Morro da Favela e sua resistência continua


No domingo a noite os moradores do Morro da Favela (Providência) começaram a mobilização por volta das 23:00hs, jovens do local e moradores de outros cantos do Rio de Janeiro se juntaram para o início dando fim a noite. Diferente de sábado, a comunidade pulsava silenciosamente. Marcia Eva na escada com outros moradores, mesmo cansada recebia quem chegava e levava até a quadra na qual a SMH - Secretaria Municipal de Habitação quer destruir para fazer uma estação de teleférico no lugar.


Quadra de esportes na Praça Américo Brum. É este espaço que a Secretaria Municipal de Habitação quer Destruir.

Um grupo de meninos jogava futebol, pais acompanhavam sentados no banco ao lado. Marcia ia tentando mobilizar os moradores, Caio corria, jogava futebol, soltava as pipas da imaginação e as pessoas ficavam ali, meio que paradas, aterrorizadas em olhar para aquele lugar que poderia não mais existir. Mas o pulso ainda pulsa.

Nas costas da camisa do senhor Nélio, a frase: "A procura da Batida Perfeita""

Daí nao tem nem como não falar de Dona Rosiete, uma verdadeira líder comunitária há 25 anos. Ela se apresenta ao enredo da noite, também um pouco cansada, mas carregando panela, sacolas e esperanças. Ela nasceu, cresceu e além de viver ali, luta por manter o conquistado através do esforço, num lugar, onde segundo ela, a luta maior sempre foi pela vida.

Dona Rosieti, líder comunitária há 25 anos do Morro da Favela, mais uma guerreira que chora nas favelas por falta de respeito do governo."

Foi aniversário de nove anos de sua neta mais velha, teve bolo, festa e brigadeiro. Daí ela mudou de cenário para continuar sonhando que seus netos, filhos, vizinhos, parentes, toda essa grande família da Providência, possa celebrar por muito mais tempo a vida. Acompanhada das Marcias, elas decidiram desde muito tempo a seguir noite a dentro. A avó leonina tem força de leão para resistir, mas voz suave, olhar doce e penetrante que nos sensibiliza. E, ela não desanimava, mesmo sem a presença dos moradores, ia picando cenoura, cortando cebola e cozinhando além do sopão, uma história de vida gigante.


Um coração no alvo e faixas enfeitavam a quadra no Morro da Favela

Talvez a lua cheia que iluminava aquela noite e alma daquelas pessoas. Mas todos estão cheios. Cheios de intervenções governamentais que não os ouvem, que desconsideram a coisa mais valiosa existente que é a vida e o direito à ela, à moradia e à dignidade que mesmo na adversidade, fizeram brotar, mesmo sempre esquecidos, relegados historicamente do contexto da cidade, é ali que eles dotaram de sentido e significado suas existências. E, foram felizes, guerreiros, correndo por becos, brincando na quadra, admirando a lua e a vista, tão cobiçada, de onde lançaram-se no mundo.

Não tem muleta certa, o morador se encaminhava para a mobilização, mais um de tantos Guerreiro!

O dia ia despertando mas o sol entra em sincronia com uma realidade que também está encoberta e maquiada pelas "autoridades". O sopão ficara pronto, o dia começava, os moradores circulavam pelas ruas, Rosiete e Marcia estão exautas, mas altivas. Chegam outras pessoas, mas pouco moradores. Todos em fentre a quadra ficam, a luz do sol aparece, o dia esquenta, Leo, Edmilson, Rafael e outros vão documentando em imagens, a curiosidade e intresse faz surgir mais pessoas e e os representantes do "social" da SMH dão o ar da graça entregando um comunicado de intervenção do Consórcio Rio Faz.


Sr Nélio e Dona Rosieti conversando com o Sociólogo responsável da SMH

Mas quem faz são moradores que ali estão. Fizeram suas vozes ecoar, suas histórias foram escancaradas pra que não restasse dúvida, que ali mesmo em pouco número, eles estavam de olhos bem abertos e dispostos a lutar. Sim, são poucos e há inúmeros motivos para serem poucos, mas eram de uma força capaz de silenciar discursos que tentavam tapar o sol com a peneira. Se não falou que era agora? O povo ta aqui, tá aqui pra ouvir, ta aqui pra contestar.

No fim da manhã, que na verdade foi o começo, o sopão era servido. Esperamos que alimente mais indignação e resistência. Os olhos de Rosiete brilham e o sorriso surge, também certa de nada, mas ciente de tudo, agora acompanhada por outras vozes da família providência, o Morro da Favela.


Moradores passando em frente a casa amarela no Morro da Favela.

Na Luta pela vitória, pelo Triunfo, no Morro é "nós!"
Texto Coletivo por: Mirian Benetti e Léo Lima
No dia 19 de Julho (hoje) a mobilização continua às 8:00 da manhã. Se quiser, o Morro estará de braços abertos pra você, pode subir, basta querer!
DIGA NÃO A CONSTRUÇÃO DA ESTAÇÃO DO TELEFÉRICO NO LOCAL!


Fonte: Blog do Coletivo Favela em Foco

18 de julho de 2011

Remoção de casas na Providência começa hoje




Fotos: Léo Lima



Imagens de casas marcadas para serem demolidas no Morro da Providência.  As imagens são do fotógrafo Léo Lima

Neste momento os fotógrafos Léo Lima e Edmilson de Lima estão na Providencia acompanhando o que rola por lá e mais tarde depobibilizaremos imagens aqui ou no blog Favela em Foco.


17 de julho de 2011

Rio em Preto & Branco

Paço Imperial, Rio - Louis Compte (?), 1840 (?)


A fotografia acima é uma das primeiras imagens de paisagens brasileira captada com a técnica “daguerreótipia”, na (I metade do século XIX).

A imagens do Paço Imperial foi feita em janeiro de 1840, no Cais Pharoux (atual Praça XV), Rio de Janeiro, pelo abade Louis Compte, capelão do navio-escola francês L’Orientale (“ele antes teria feitos imagens, desaparecidas, de Salvador”). 

A página “A Foto Histórica no Brasil” resgata um registro jornalístico do Jornal do Comercio de 17/01/1840, o registro do jornal mostra como foi a impressão sobre a técnica que era uma das grandes novidades do século.

Jornal do Comercio de 17/01/1840  

"É preciso ter visto a cousa com os seus próprios olhos para se fazer idéia da rapidez e do resultado da operação. Em menos de 9 minutos, o chafariz do Largo do Paço, a Praça do Peixe e todos os objetos circunstantes se achavam reproduzidos com tal fidelidade, precisão e minuciosidade, que bem se via que a cousa tinha sido feita pela mão da natureza, e quase sem a intervenção do artista".



15 de julho de 2011

Che também foi fotógrafo

 © Foto de Roger Pic. Che Guevara em Havana, 1963.

Che Guevara, sempre levava sua câmera fotográfica durante suas andanças pelo mundo. “Antes de ser comandante eu era fotógrafo”, dizia ele. Entre 1950 e 1960, Che retratou crianças, paisagens, operários e anônimos, como também realizou belíssimos auto-retratos. Trabalhou algum tempo para uma agência argentina, onde cobriu os jogos pan-americanos de 1955, no México.

Fonte: Blog Imagens & Visions

14 de julho de 2011

Sim! Sei! Cidadania é!?



Existe uma espécie de propaganda generalizada de que está em processo um profundo projeto de garantia de cidadania  na cidade do Rio de Janeiro e o público alvo são os favelados.

Pois bem, o conceito de cidadania tem origem na Grécia e de um modo geral e básico este é um status jurídico e político mediante o qual o cidadão adquiria direitos civis, políticos e sociais; e deveres relativos a uma coletividade política.

Consultei alguns textos* a fim de ver isto melhor. De modo resumido na atualidade o conceito de cidadania é constituído por princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito e pode ser traduzido como um conjunto de “liberdades”, “obrigações políticas, sociais e econômicas”. Segundo o conceito moderno ser cidadão  implica em exercer seu “direito à vida, à liberdade, ao trabalho, à moradia, à educação, à saúde, à cobrança de ética por parte dos governantes”.

É preciso ser levado em conta que entre o bendito dos conceitos e a realidade existe um abismo, mas que seja, nem conceitualmente alguém na capacidade total de suas faculdades mentais pode afirma que está em processo nesta cidade um projeto que garanta cidadania aos favelados no sentido em que está escrito nos "princípios fundamentais". No máximo o que pode ser afirmado é que está em processo alguns direitos que há muito tempo deviam existir nas favelas na forma como existem em outras áreas da cidade, o que já seria problematico, mas deixemos isto para outro momento.

Digo tudo isto pelo fato de ter visto no dia de hoje numa fotografia o slogan “Cidadania em Alta”, a foto que me refiro foi feita pela fotógrafa _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ na ocasião da inauguração do teleférico do Conjunto de Favelas do Alemão em 07/07/2011.


Textos consultados*

PINSK, Carla Bassanezi. PEDRO, Joana Maria. Igualdade e Especificidade – História da Cidanadia, Editora Contexto.

D´URSO, Luiz Flávio Borges. A Construção da Cidadania, http://www.oabsp.org.br/palavra_presidente/2005/88
 

Teleférico do Alemão: onde o turismo é o exótico da favela



Foto: Francisco Valdean



Ontem fui andar no teleférico instalado sobre as favelas que compõe o Conjunto de Favelas do Alemão, Zona Norte do Rio. O clima é de coisa nova, muita gente, moradores do Alemão e de bairros vizinhos experimentando a novidade.

Na estação de Bonsucesso, a movimentação e euforia, principalmente das crianças era tão aparente que podia se sentir a energia.

No Bondinho em que subi, Monara, Léo, _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ e _ _ _ _ _ _ _ e eu. Na estação do Morro do Adeus, mais três adolescentes entram na gôndola em que estavamos, era a vez que eles subiam e desciam, o ar era de diversão.

O teleférico está na FASE 1- 3O dias (convidados – gratuito) 2ª à 6ª 9h às 11h/14h às 16h.

De um ponto de vista turístico, principalmente do tipo que adora fazer turismo em favela, a sensação causada pela visão é de cair o queixo! Mas o que tem a favela de exótico para merecer atenção no nível da curiosidade turística?

Fico pensando que talvez fosse mais saudável para a cidade se as pessoas fossem visitar as favelas e realmente, as vissem como são, sem a pieguice de nos achar pobres coitados, ou então ir nas favelas por pura curiosidade de como moram milhares de pessoas nesta cidade.


Uma vez tive contato com um grupo de jovens da Rocinha e o assunto do turismo por lá surgiu na conversa, o que posso dizer é que eles não tinham opiniões favoráveis sobre a prática. Nem tanto pelos visitante era mais pelo fato incômodo de serem “caçados” pelas lentes das câmeras dos turistas. Esta foi à expressão usada, se sentiam como caça fugindo de atiradores.

Não acho que o teleférico seja uma coisa ruim, acho que resolve inclusive algumas questões de transportes. 

Mas não me agrada a ideia do turismo e me agrada menos ainda quando penso que nós somos vistos como exóticos. Digo isto pelo fato de que em alguns pontos do teleférico a vista é simplesmente estonteante, principalmente quando se passa por cima da comunidade da Grota, onde as casas vistas de cima parecem uma verdadeira obra arquitetônica feita coletivamente.

Para além da paisagem e da vista que é muito bonita, existem os problemas, problemas que deviam terem sidos solucionados pelo PAC* mas estes ainda existem e não sei se os que compõem todo o teatro tem algum interesse por eles.

Como é o caso de dona Marlene Soares de 55 anos, moradora do Morro da Baiana. A casa dela se encontra com inúmeros problemas, problemas que a moradora diz terem sidos intensificados com as obras do PAC.

O fotógrafo Léo Lima do Coletivo Favela em Foco já visitou por duas vezes a casa de Dona Marlene e é quase sempre uma angustia falar deste caso, que não é o único, inúmeros casos como este ocorrem abaixo dos milhares de metros de cabo de aço que levara muita gente a passar pelas 152 gôndolas sobre a casa de dona Marlene.

Muitas fotos serão tiradas, muitos políticos se elegerão e a vida continua numa boa e bela se vista de cima, mas lá embaixo estará dona Marlene sem conseguir dormir, um rio de esgoto corre por dentro do que já foi sua casa.


* Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

12 de julho de 2011

Contradição



A contradição é a “coisa” mais deplorável do mundo. É um verme invisível que come silenciosamente o que há por baixo da pele humana. Não estou certo disto, mas suspeito que seja a contradição uma espécie de praga inerente a um determinado tipo de relações estabelecidas.  Me parece ser fato que no mundo atual a contradição seja uma praga viva que não poupa ninguém!

O pior é que a contradição é uma espécie de artifício dos “espertos” sobre os “bobocas”. Os “espertos” nunca são surpreendidos quando a contradição verdadeiramente se manifesta. Estes a compreende de tal maneira que são capazes de viver mergulhado até o pescoço na merda e nunca reclamar da situação, as vezes até fingem sobre sua real existência. Mas  esta bela dama não é tão gentil com os “ingênuos”, com estes ela age  como uma faca afiada cortando profundo no peito destes pobres coitados.




Dedico as linhas a cima aos camaradas _ _ _ _ _ _ _ e _ _ _ _ _ _ _ _ _  cada um por um motivo diferente.

Rodrigues Moura, 31 anos registrando o Conjunto de Favelas do Alemão






Por Viviane Oliveira
Fonte: Viva Favela



11 de julho de 2011

21 Gramas - Música da Banda Café Frio





Banda Café Frio

9 de julho de 2011

No fim da festa o sol já ia




No fim da festa o sol já ia. Uma lente de celular incontrolável e alguns efeitos inesperados.
 

8 de julho de 2011

A Feira da Teixeira Ribeiro de uma forma que você nunca viu






“Feira em 30” é um vídeo feito em “movimento parado” técnica conhecida como “Stop Motion” que é na verdade fotografias (quadros) tiradas em seqüência e ao junta-las se tem o movimento da cena. É no fundo uma ilusão de ótica. 


E muito fácil de fazer um vídeo assim, em breve farei um poste dando dicas de como de como realizar um vídeo com esta técnica. 



Este vídeo foi realizado pelo fotógrafo Leo Lima.


Conheça mais sobre o trabalho do Leo em Favela em Foco e ou na página do seu flickr  

Serra Branca: um pedaço do Brasil na Maré






Hoje (8 de julho de 2011) a Galeria 535 abre a exposição fotográfica “Serra Branca” do fotógrafo Fábio Costa.  Serra Branca é uma cidade de 12 mil habitantes e fica a 240 km da capital paraibana João Pessoa. "Serra Branca" é o registro visual da vida cotidiana de uma pequena cidade paraibana.

A exposição fica aberta a visitação de 11 de julho a 12 de agosto de 2011 de segunda à sexta, de 9 as 18 hs. Galeria 535 fica na rua Teixeira Ribeiro, 535, Parque Maré (oficial) (informal) Nova Holanda.

A Maré é assim, um grande mosaico formado por pessoas de muitas outras cidades brasileiras.



7 de julho de 2011

“É só meu” belíssimo poema audiovisual

 É só meu é um curta inteiramente autoral do fotógrafo Davi Marcos. É um belíssimo poema audiovisual com 1 minuto e meio de duração.
 



Autor Davi Marcos

Webdocumentário Rio de Janeiro - Autorretrato

Divulgando





Trailer sobre o webdocumentário Rio de Janeiro - Autorretrato. "Em uma das cidades mais bonitas do mundo, mas em um ambiente cercado de contradições, um grupo de fotógrafos que trabalha nas favelas do Rio de Janeiro encontra luz e esperança em cada clique". Webdocumentário completo em breve em www.riodejaneiroautorretrato.com.br.

5 de julho de 2011

O Jeito Marginal de Fazer Arte




Vídeo realizado a partir de imagens captadas com a câmera de um celular.



A Cia Marginal em curtíssima tempo apresenta o espetáculo “Ô, Lili” no Centro de Artes da Maré.
Próximas apresentações, 9 e 10, às 19:00 hs.

O Centro de Artes da Maré fica na rua Bittencourt Sampaio, 181 Nova Holanda, Maré
(entre as passarelas 09 e 10 da Av. Brasil)
Informações: companhiamarginal@gmail.com

4 de julho de 2011

Espetáculo “Ô, Lili” em curtíssima temporada no Centro de Artes da Maré

 

Espetáculo “Ô, Lili” da Cia Marginal em curtíssima temporada no Centro de Artes da Maré, 2,3,9 e 10 de julho às 19:00 hs. O Centro de Artes fica na rua Bittencourt Sampaio, 181 Nova Holanda, Maré (entre as passarelas 09 e 10 da Av. Brasil). Entrada gratuita.




3 de julho de 2011

Rio, Avenida Presidente Vargas






Noite na Avenida Presidente Vargas, altura da Central do Brasil, Rio de Janeiro. Imgem captada com celular.

2 de julho de 2011

O Efeito SMH

Foto e texto Léo Lima


 
Vai ser rápido!

O que não quer dizer que não será doloroso. Doloroso é tudo aquilo que causa dor física ou moral. E se tratando de HABITAÇÃO na 1ª favela do Rio de Janeiro a dor vem se tornando banal.

Quase que no geral, quando temos um pesadelo, agente fala que teve um SONHO. O que geralmente são imagens descontroladas ou confusas, que se formam no espírito da gente e que nem sempre se realizam. É foda, quando esse sonho não é nosso. E os outros querem porque querem realizá-los pela gente.
Fala-se muito de VIDA. Será que ela é somente o espaço de tempo em que definimos a partir do nascimento e da morte?

Mas que sorte!

E a CASA? Tenha PACIÊNCIA... Senador Camará, Cosmos ou Santa Cruz?
Muito longe, tão tão distante dos que amam, longe das raízes, dos sons, dos cheiros em que cresceram. Longe da partida, longe dos amigos e mais perto das cinzas.

Papo de HABITAÇÃO, REVITALIZAÇÃO sem noção... sem discussão! É tudo estratégia para ricos e bacaninhas sem o menor problema de gastar, para terem do bom e do melhor. Visão privilegiada na boca do lobo dos mirantes dos Templo do alto do Morro da Prov...

Quanta inveja da ironia gente! Nem isso eles respeitam, nem a ela eles perguntam. Afinal, quem não queria passar todo o fim de tarde, esperando a noite cair, deitado numa rede ou soltando pipa... Do Ronaldinho Gaúcho, por que não?

Quem se enjoaria de sair na porta de casa só para ver bem de pertinho, a primeira estrela aparecer? O vento no rosto bater, bater e bater. Quem não queria? Quem abdicaria dessa “LIBERDADE, desse SONHO?”

Os não ricos e não bacaninhas moradores nos quais possuem suas casas marcadas com as siglas SMH, gostariam de continuar tendo esses privilégios.

Afinal, nunca ouvi ninguém dizer que realizou um dia, o seu maior pesadelo.
- Acorda! Tá na hora de sair daí!

- Morador: HOJE?
- Sim Maluco! Hoje.