19 de julho de 2011

Hoje na Providência



Sinceramente queria ter ido ao morro da Providência para documentar, uma feijoada, um bingo, um jogo de futebol, qualquer que fosse o fato que não fugisse da rotina cotidiana da comunidade, que é na real o que pretendo com este blog.

Mas fui lá hoje para documentar e de alguma forma contribuir com a luta silenciada de alguns moradores.

O fato
Na comunidade (Morro da Favela/ Providência) ocorre há muitos dias um descontentamento por parte de alguns moradores com as obras do “Porto Maravilha” e “Morar Carioca”.

Ontem
Moradores se mobilizaram para impedir o início das obras de demolição da quadra Américo Brum no alto do Morro. Que antes era uma praça e agora possivelmente será a estação de um teleférico. Segundo os moradores a demarcação do terreno começaria ontem, mas devido às pressões os operários não perfuraram ontem.

Hoje
Hoje cheguei (s) ao local por volta das 7:40, lá se encontravam 3 carros de Polícia e logo em seguida chegou os trabalhadores que dariam início as demarcações e perfurações para a implantação de uma das torres do teleférico que ligará a cidade do Samba a Central do Brasil, somando 3 estações.

Os moradores
Rosiete Marinho, 50 anos líder comunitária. Ao perguntá-la sobre quantas casas seriam removidas, ela não teve dúvida, “70% das casas”.

Enquanto as brocas perfuravam o chão batido pisado e construído pelos moradores, cartazes iam surgindo junto com a sensação de indignação.

O choro é algo insuportável e mais ainda quando o choro é de um Sr de 63 anos, era um choro de indignação misturado a sensação de impotência diante de um fato que o atingia diretamente. Seu Nélio chorou e gritou alto para quem quisesse ouvir. “Sou nascido e criado aqui”, “eles chegam aqui na marra, não nos perguntaram nada!, não perguntaram se era possível fazer a obra”  e concluiu “queremos obras necessárias” “não queremos Centro Esportivos, nós já temos a quadra, não queremos mais nada”.



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