19 de julho de 2011

O Morro da Favela e sua resistência continua


No domingo a noite os moradores do Morro da Favela (Providência) começaram a mobilização por volta das 23:00hs, jovens do local e moradores de outros cantos do Rio de Janeiro se juntaram para o início dando fim a noite. Diferente de sábado, a comunidade pulsava silenciosamente. Marcia Eva na escada com outros moradores, mesmo cansada recebia quem chegava e levava até a quadra na qual a SMH - Secretaria Municipal de Habitação quer destruir para fazer uma estação de teleférico no lugar.


Quadra de esportes na Praça Américo Brum. É este espaço que a Secretaria Municipal de Habitação quer Destruir.

Um grupo de meninos jogava futebol, pais acompanhavam sentados no banco ao lado. Marcia ia tentando mobilizar os moradores, Caio corria, jogava futebol, soltava as pipas da imaginação e as pessoas ficavam ali, meio que paradas, aterrorizadas em olhar para aquele lugar que poderia não mais existir. Mas o pulso ainda pulsa.

Nas costas da camisa do senhor Nélio, a frase: "A procura da Batida Perfeita""

Daí nao tem nem como não falar de Dona Rosiete, uma verdadeira líder comunitária há 25 anos. Ela se apresenta ao enredo da noite, também um pouco cansada, mas carregando panela, sacolas e esperanças. Ela nasceu, cresceu e além de viver ali, luta por manter o conquistado através do esforço, num lugar, onde segundo ela, a luta maior sempre foi pela vida.

Dona Rosieti, líder comunitária há 25 anos do Morro da Favela, mais uma guerreira que chora nas favelas por falta de respeito do governo."

Foi aniversário de nove anos de sua neta mais velha, teve bolo, festa e brigadeiro. Daí ela mudou de cenário para continuar sonhando que seus netos, filhos, vizinhos, parentes, toda essa grande família da Providência, possa celebrar por muito mais tempo a vida. Acompanhada das Marcias, elas decidiram desde muito tempo a seguir noite a dentro. A avó leonina tem força de leão para resistir, mas voz suave, olhar doce e penetrante que nos sensibiliza. E, ela não desanimava, mesmo sem a presença dos moradores, ia picando cenoura, cortando cebola e cozinhando além do sopão, uma história de vida gigante.


Um coração no alvo e faixas enfeitavam a quadra no Morro da Favela

Talvez a lua cheia que iluminava aquela noite e alma daquelas pessoas. Mas todos estão cheios. Cheios de intervenções governamentais que não os ouvem, que desconsideram a coisa mais valiosa existente que é a vida e o direito à ela, à moradia e à dignidade que mesmo na adversidade, fizeram brotar, mesmo sempre esquecidos, relegados historicamente do contexto da cidade, é ali que eles dotaram de sentido e significado suas existências. E, foram felizes, guerreiros, correndo por becos, brincando na quadra, admirando a lua e a vista, tão cobiçada, de onde lançaram-se no mundo.

Não tem muleta certa, o morador se encaminhava para a mobilização, mais um de tantos Guerreiro!

O dia ia despertando mas o sol entra em sincronia com uma realidade que também está encoberta e maquiada pelas "autoridades". O sopão ficara pronto, o dia começava, os moradores circulavam pelas ruas, Rosiete e Marcia estão exautas, mas altivas. Chegam outras pessoas, mas pouco moradores. Todos em fentre a quadra ficam, a luz do sol aparece, o dia esquenta, Leo, Edmilson, Rafael e outros vão documentando em imagens, a curiosidade e intresse faz surgir mais pessoas e e os representantes do "social" da SMH dão o ar da graça entregando um comunicado de intervenção do Consórcio Rio Faz.


Sr Nélio e Dona Rosieti conversando com o Sociólogo responsável da SMH

Mas quem faz são moradores que ali estão. Fizeram suas vozes ecoar, suas histórias foram escancaradas pra que não restasse dúvida, que ali mesmo em pouco número, eles estavam de olhos bem abertos e dispostos a lutar. Sim, são poucos e há inúmeros motivos para serem poucos, mas eram de uma força capaz de silenciar discursos que tentavam tapar o sol com a peneira. Se não falou que era agora? O povo ta aqui, tá aqui pra ouvir, ta aqui pra contestar.

No fim da manhã, que na verdade foi o começo, o sopão era servido. Esperamos que alimente mais indignação e resistência. Os olhos de Rosiete brilham e o sorriso surge, também certa de nada, mas ciente de tudo, agora acompanhada por outras vozes da família providência, o Morro da Favela.


Moradores passando em frente a casa amarela no Morro da Favela.

Na Luta pela vitória, pelo Triunfo, no Morro é "nós!"
Texto Coletivo por: Mirian Benetti e Léo Lima
No dia 19 de Julho (hoje) a mobilização continua às 8:00 da manhã. Se quiser, o Morro estará de braços abertos pra você, pode subir, basta querer!
DIGA NÃO A CONSTRUÇÃO DA ESTAÇÃO DO TELEFÉRICO NO LOCAL!


Fonte: Blog do Coletivo Favela em Foco

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