30 de agosto de 2011

O legado da Copa de 50 e a favela da Maré


A copa de 2014 é a vigésima Copa do Mundo e a segunda que o Brasil sedia. “No país do futebol” devia ser só festa, se não fossem os transtornos que o evento tem causado para muitos moradores da cidade do Rio de Janeiro. Especialmente para os moradores de algumas favelas cariocas que sofrem com a iminência das remoções.
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No último dia 30 de agosto centenas de cariocas foram para as ruas protestar.


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Para a realização de um evento assim são necessárias muitas obras e tais obras ficam como legado para a cidade.  Mas a distribuição destas é privilégio de áreas historicamente privilegiadas, em quanto que para outras áreas da cidade o legado não fica, mas ficam os transtornos das obras. As remoções de moradias em favelas é o transtorno mais visível que antecede a Copa de 2014.


Outro dia lendo sobre o assunto em páginas da internet encontrei um fato interessante envolvendo a construção do Maracanã e a favela da Maré. Por conta da construção do estádio para a Copa de 50, um Batalhão Militar que ficava sediado naquela área foi removido para as proximidades da Maré e os transtornos deste evento é um fato marcante na memória dos primeiros moradores do Morro do Timbau.


Os militares “preocupados com o constante crescimento do número de moradias, resolveram tomar para si a prerrogativa de controlar a ocupação do Morro. Passaram a coordenar a construção de ruas e casas, e a influir nas relações entre os moradores. Porém, isso era feito de forma bastante arbitrária e autoritária. Cobravam taxas de ocupação irregulares – os militares diziam que aquelas terras pertenciam ao exército, fato que mais tarde comprovouse ser inverídico – proibiam a construção de casas de alvenaria, diziam quem podia ou não morar ali*”.


É preciso dizer que na década de 50 a favela da Maré era uma recente ocupação, tinha 10/15 anos e se resumia ao Morro do Timbau e algumas casas da Baixa do Sapateiro.


Em 50 o Brasil sediou a primeira Copa do Mundo, e o estádio do Maracanã foi construído. O estádio é inegavelmente importante para o futebol brasileiro, mas para a região da Maré que fica também na zona norte e a 10 minutos do estádio o reflexo não foi lá muito agradável.


Este foi o “legado” da copa de 50 para a favela da Maré e qual será o “legado” da copa de 2014 para esta região?  Olhando para a história da cidade e suas práticas podemos até arriscar suposições ou seria mais prudente esperar a história escrever os resultados do evento?
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* Documento “A Maré que queremos” / Redes de Desenvolvimento da Maré.

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