"Somos Meros Humanos" foi dito por um morador de favela do Rio de Janeiro ao ver a sigla SMH (Secretaria Municipal de Habitação) escrita na parede de sua casa. A sigla (SMH) é escrita nas paredes das casas removidas pela Secretaria.
Pesquisando sobre o assunto em matérias de jornais encontrei um texto no jornal Globo Online do mês de fevereiro de 2009 falanda do projeto do muro na Linha Vermelha.
Segue abaixo alguns trechos da matéria
“ A pedido do secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, a Linha Amarela também poderá ganhar muros na altura da Vila do João, a exemplo do que será feito pela prefeitura em três pontos de risco da Linha Vermelha”.
A matéria segue
“O principal objetivo dos muros de três metros de altura, em aço, concreto e acrílico, segundo a secretaria, é proteger os motoristas dos bandidos que se aproveitam de engarrafamentos para fazer arrastões”.
O projeto atual se modificou, “Do lado do muro que dá para as favelas, o projeto prevê um corredor de árvores para fazer uma barreira acústica, além de áreas de lazer”. Saiu as arvores e ficou só o argumento de que o muro é uma proteção sonora.
O projeto também ganhou um outro valor, de 4 milhões passou para 20 milhões.
Na versão online do Globo a nota fecha com a fala do secretário de Obras, Luiz Guaraná, “os muros servirão de proteção em eventuais tiroteios, uma vez que o aço a ser usado terá cinco milímetros de espessura”.
Na atualidade a prefeitura diz que o muro, que já esta quase concluído, é na verdade uma “Barreira Acústica”.
Postagem realizada no dia 09 de maio de 2010 _______________________________________________________
Ontem, o Bloco Se Benze que Dá através de um ato na comunidade Nova Holanda convidou os mareenses a gritarem contra o muro que nos cerca.
O ato iniciou com a moradora Gisele Martins fazendo a leitura da * "Carta aberta contra os muros nas favelas Cariocas"
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Em seguida foi a vez da galera da APAFUNK. Lembrando que essa é a primeira roda de Funk na Maré.
Antes que o bloco tocasse o microfone foi aberto para se discutir a questão.
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Outras imagens
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* "CARTA ABERTA CONTRA OS MUROS NAS
FAVELAS CARIOCAS"
Desde seu surgimento a favela tem sido alvo de intenso processo de estigmatização e criminalização. Inicialmente, a reação à favela era suscitada através de uma “preocupação” com os problemas relacionados à saúde, higiene e poluição estética da cidade. Atualmente, é a crença em uma incontestável associação desses territórios com a criminalidade, a ilegalidade e a pobreza que orientam a formulação de políticas públicas e o discurso das mídias empresariais. São exemplos desse processo de marginalização a remoção de favelas, a criminalização do funk, a ação policial violenta e, até mesmo,
discursos fascistas, como o do atual Governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, que aponta a favela como uma “fábrica de produzir marginal”.
Apesar da existência dessas medidas mais explícitas de segregação da favela, é sob o disfarce de “barreira acústica” – para a proteção sonora daqueles que moram próximos às principais vias expressas da cidade – que o Estado reafirma o processo de estigmatização e marginalização dos favelados. Conforme matéria do jornal Estado de São Paulo, serão gastos 20 milhões de reais – financiados pela Lamsa [Linha Amarela S.A.] – para que o muro seja erguido.
Contudo, não se trata de uma nova iniciativa. Em 2003 e 2004 projetos de lei apresentados à Alerj produziram uma evidente associação entre favela, violência e risco aos usuários das vias expressas. Naocasião, não se refletiu sobre o favelado, mas sobre a proteção dos usuários das linhas vermelha e amarela.
Os muros seriam levantados e o sentimento de segurança de uns seria garantido, enquanto a outros seria reservado o descaso. Do mesmo modo, também em 2004, iniciativa do então Secretário Municipal de Meio Ambiente, Luiz Paulo Conde, propôs medida similar a essa. Para nós, o que hoje se apresenta sob a forma de “barreiras acústicas” e “ecolimites”, se trata, na verdade, de uma reedição dessa mesma política que visa estigmatizar e criminalizar uma grande parcela da população carioca que reside nas favelas. Cientes de que as “barreiras acústicas” não poderão calar todas as vozes das comunidades encarceradas, os agentes dessa política segregacionista tentam enganar e/ou comprar associações e ONGs situadas na Maré.
Trata-se de mais um ataque assistencialista cuja finalidade é promover o maior controle dos espaços populares. A manutenção de uma política mercantil de projetos sociais não pode servir de moeda de troca dessa política fascista. Diversas instituições já aceitaram o dinheiro da Lamsa, mas é um e quívoco da Lamsa e dos governantes acreditar que essas ONGs representam todo o povo e as forças populares. Nossa resistência não se compra, nosso grito não se cala!
Nós, do Bloco Se Benze que Dá!, que desde 2005 buscamos formas de nos posicionar contra as fronteiras que existem dentro da Maré, escrevemos essa carta para denunciar a fronteira que quer separar fisicamente a Maré do resto da cidade. Assim, nos diferenciamos destes setores e propomos uma nova política que se construa junto com o povo. Que os recursos utilizados para a construção do muro e de outras medidas
direcionadas à exclusão da população pobre sejam revertidos para a eliminação dos muros sociais, abstratos. Ao invés de muros que separam, dividem, opõem, desejamos a construção de pontes, de elos, que reconheçam a favela como o que ela é: parte da cidade. Desejamos, isso sim, um real comprometimento com a garantia dos direitos humanos e civis para todos os cidadãos. Por uma sociedade sem muros, convocamos todas e todos para combatermos as barreiras que pretendem nos calar!
Abaixo os muros da Maré! O muro não abafará a nossa voz!
Luiz Fernando enjaulado, uma forma que ele encontrou de protestar
contra o muro ("barreiras acústicas") erguida pela Prefeitura na Linha
Vermelha na altura da Maré.
O artista, Luiz Fernando, morador da Maré iniciou hoje um protesto contra a construção de "barreiras acústicas" que a prefeitura ergue na linha Vermelha nas proximidades da Maré. Ele pretende ficar por 30 dias preso numa espécie de jaula que ele mesmo construiu na altura da Comunidade Vila dos Pinheiros.
Luiz Fernando é bastante conhecido pelos seus protestos, em 2007 construiu uma casa no meio no Canal do Cunha, dizia ele na época que a construção era uma forma de protestar contra a degradação que sofre o canal.
As imagens foram captadas pela fotógrafa Elisângela Leite.
No dia 30/09 acontece na Lona Cultural Herbert Vianna, Maré (rua Ivanildo Alves, sem nº, Baixa do Sapateiro) o seminário “A cidade do e para os megaeventos esportivos: muros, remoções e maquiagem urbana”.
O seminário é organizado pela a Redes de Desenvolvimento da Maré, em parceria com o Observatório de Favelas e a ActionAid, neste também será apresentado os resultados da pesquisa "Os muros do invisível". A consulta foi feita a partir da opinião dos moradores sobre os muros “acústicos” construído em trechos da linha Vermelha nas proximidades da Maré.
Durante a instalação do Muro em 2010 o Blog O Cotidiano registrou alguns pontos da movimentação que o “Muro” gerou na Maré. Durante esta semana reeditaremos algumas das postagens da época.
Ouvi no rádio sobre uma campanha
contra as drogas feita no “Rock in Rio” ou pelo “Rock in Rio” por artistas (boa,
bacana mesmo!). A notícia também dizia que quem for pego com drogas no (Rock in
Rio 2011) pode ter problemas com os “homi”... Esta é uma daquelas coisas que
faz agente pensar em duas outras coisas: a) este mundo realmente tá mudando
para melhor, ou então b) a hipocrisia é uma realidade incomoda (inclusive na
galera gente boa do Rock), neste contexto eu prefiro o lema “Sexo, drogas e
rock and roll” pelo menos este tem alguma inquietação.
Entre
os dias 21 e 25 de setembro acontece em Paraty o 7º Festival Internacional de
Fotografia, O “Paraty em Foco”. No
ano passado estive por lá e fiz este pequeno vídeo.
O “Rock in Rio” vai
ser um sucesso! A preparação pra Copa e Olimpíadas vai muito bem! É assim que
se apresenta uma das faces do retrato pintado a custos altíssimos para
alguns viventes desta cidade.
Já do outro lado da face
do retrato onde a luz não chega ou chega por frestas empoeiradas a coisa não é
bem assim... Deste lado o que rola é: remoção, balas ( de borracha e de
verdade) e spray de pimenta na cara. Operações em Caveirões e muitas outras
coisas loucas, mas típicas da face oposta de um retrato onde a importância é direcionada
para apenas uma das faces.
Hoje moradores da Providência
se reuniram para tentar barrar a descaracterização de prédios no topo do Morro.
Isto ocorre por causa da derrubada de
casas e aparelhos esportivos (quadra de esporte) para dar lugar a um lindo teleférico onde os turistas podem observar a vida bucólica e exótica dos
moradores local.
Tem
gente que acha que tudo deve virar disputa e acha isso o máximo. Eu prefiro
achar uma verdadeira desgraça!
Essa
coisa de que tudo que se faz deve virar disputa onde no final tem ganhadores e
perdedores é simplesmente terrível para qualquer prática cultura, seja nas
favelas ou em qualquer lugar deste mundinho redondo que parece tá cheio de gênios
de cabeças quadradas.
O passinho
é algo inovador dentro do FUNK e mostra a grandeza da cultura
FUNK. A galera nas favelas dançam o passinho sem interesses de demonstrar
superioridade e sem definir ganhadores e perdedores, mas os “pensadores” devem
ver no passinho do FUNK a oportunidade de praticar suas doenças crônicas de
tudo tornar disputas.
Vida longa
para o Funk carioca e meus sinceros parabéns para os gênios de cabeças
quadradas, principalmente aos que acham que as soluções se encontram na disputa
que definem perdedores e ganhadores.
Casa marcada na favela de Marcílio Dias, ano de 2005
Foto: Ratão Diniz
Se algum dia sua casa amanhecer com esta sigla você pode ter sido contemplado com o belo e maravilhoso presente chamado remoção. A sigla (SMH) significa Secretaria Municipal de
Habitação. Segundo a página oficial do Governo do Rio está "atua na urbanização e regularização de favelas e loteamentos, ao mesmo
tempo que promove a construção de moradias para famílias com renda
até dez salários mínimos, com prioridade para as que ganham até três, em
áreas dotadas de infraestrutura".
As vezes tenho a
impressão de que a vida na favela se move ao som de alguma música, acho que
este é um aspecto que evidencia o quanto de diversidade existe nas
favelas cariocas.
Aos domingos essa
sonoridade se amplia, é aos domingos que
se pode constatar melhor o quanto musical é a favela.
No domingo é
possível que se ouça ao mesmo tempo e quase nos mesmo espaços mais de um estilo
musical sendo executados, os estilos mais comum, creio que seja “Forró” / “Pagode”
/ “Samba” / e é claro muito “Funk”...
Este blog é editado pelo fotógrafo e Mestre em Antropologia Visual Francisco Valdean.
Um blog voltado para as temáticas: ARTE, CULTURA e processos EDUCATIVOS. Temas de interesse do autor.