18 de maio de 2013

Reportagem do jornal O Globo sobre a favela da Mangueira em 1952


Jornal O Globo sobre a favela da Mangueira em 05 de janeiro de 1952

"A aventurosa e arriscada proeza de um repórter que viveu um mês entre os favelados do Rio, compartilhando dos seus sofrimentos e problemas e penetrando-lhes os segredos dolorosos, forneceu o tema para uma série de reportagem do mais alto interesse social, que será iniciada nas colunas d'O Globo na edição final da próxima segunda-feira.

Nestas reportagens, o morro será retratado numa sucessão de flagrantes pungentes ou revoltantes, que focalizarão os mil aspectos da vadiagem, do vício, do crime, da má alimentação, da falta de higiene, da ausência completa de qualquer assistência médica, material ou moral, que constituem o drama de todos os dias do morro.

É no intuito de tornar essa triste situação conhecida e na esperança de que esse conhecimento encaminhe a solução do aflitivo problema de considerável parte da população da cidade que O Globo promoveu essas reportagens, que poderão ser lidas diariamente, a partir da edição final de segunda-feira"

O texto acima anunciava uma série de reportagens do jornal O Globo a respeito da favela da Mangueira, a série se chamou FUI A OUTRO INFERNO" e foi publicada no jornal entre os dias 07 a 29 de janeiro de 1952. A série foi resultado da estada do Jornalista Vinicius Lima, este teria ficado "disfarçado" de morador na Mangueira por 32 dias para reproduzir as reportagens.

Não cheguei a ver as reportagens nos arquivos do Jornal, o que li a respeito é uma análise feita sobre esta numa monografia intitulada "UM OLHAR SOBRE A MANGUEIRA: Imagens e representações em reportagens jornalística dos anos 50” de autoria de Paulo Luiz da Silva Carneiro

Segundo o autor as reportagens estão arquivadas no Centro de Documentação de Informação (CDI) do jornal.

Li esse material quando estava pesquisando para escrever a minha monografia.

Não preciso dizer que as reportagens parecem ser um show de horrores né? Veja bem, isso foi em 1952, o jornal mudou muito e hoje faz abordagens bem diferentes sobre as favelas. Certo?

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