17 de junho de 2013

A cidade das remoções

Foto: Luiz Baltar - Ensaio fotográfico "Tem Morador", realizado no Morro da Providência. O ensaio fotógrafo foi realizado por fotógrafos formados na Escola de Fotógrafos Populares.  "Tem Morador" é um projeto coletivo de documentação, que tem como objetivo registrar as lutas de resistência e o cotidiano das comunidades ameaçadas de remoção.
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Opinião


O Cotidiano: Na atualidade na cidade do Rio de Janeiro temos um quadro dramático       em relação às remoções de moradores de favelas. Temos notícias de remoções em varias regiões da cidade: Providência, Vila Autódromo, Pavão-Pavãozinho, Manguinhos e Santa Marta. O que você acha a respeito deste assunto?

Wagner Maia*

As favelas cariocas, compostas por diversidades, não só em valores de extensão territorial, mais com suas dimensões culturais, vem cada vez mais demonstrando ao restante da cidade e impondo a essa mesma uma participação mais efetiva. Assim, a favela e restante da cidade, embora vividos na “cidade partida”, a primeira sempre fora estigmatizada para a permanência e sustentação do status quo, da segunda. A cidade cada vez mais legitimadora das desigualdades sociais.

Essa cidade que historicamente fora denominada como partida, surte um efeito contrário nas relações de percepção, principalmente dos recentes governantes ao afirmarem que  somos todos  um só Estado e uma só cidade. Joga-se de lado, quase ou mais de um século de lutas dos moradores de favelas e pessoas simpáticos a causa desses espaços num projeto de cidade visando questões de grandes empreendimentos.

Surge assim, no século XXI, o que diversos governantes principalmente do século XX, tentaram implantar na cidade carioca. Uma cidade higienizada, distante dos indesejáveis. Esses últimos, quase como sempre moradores de favelas e periferias. Desde de Pereira Passos, passando por Carlos Lacerda, historicamente acusados de tentar higienizar a cidade. Mas esbarravam numa população e agentes individuais que lutavam pela permanecia e socialização dos “indesejados” dentro da cidade e não à margem desta.

Entretanto, eis que surge um projeto de cidade, voltado para os grandes eventos, tais como (Rio+20, Copa do Mundo, Olimpíadas, etc). Eventos que colocam a cidade no mapa mundial e que dão todas as cartas aos governantes brasileiros, há usarem de todos os métodos, no intuito de implantarem a “cidade perfeita”. Assim, é essencial que algumas favelas sejam removidas e seus moradores, mandados para lugares distantes das áreas privilegiadas da cidade, especificamente (Zona Sul, Parte do Centro da Cidade e Zona Oeste).

Assim, favelas como: Providência, Vila Autódromo, Pavão-Pavãozinho, Manguinhos e Santa Marta, entre outras viraram experiências de Remoção. Tornando a Cidade, o que venho chamando de (Cidade das Remoções). Não respeitando, o cultural, a socialização e o direito de ser dono do seu lar. A cidade se torna mais que partida, está presa na lógica da segregação, e pior, com legitimação de boa parte da sociedade. Nossa luta deve ser diária e permanente afim de conseguirmos frear essas remoções que acontecem em ordem aritmética, numa cidade historicamente partida.  

* Wagner Maia é formado em Ciências Sociais pela UERJ.

2 comentários:

Muito bom o texto Val, é isso estamos aí para somar nesse trabalho lento e árduo sobre as questões referentes a cidade. Principalmente a da Metrópole Rio de Janeiro.

Muito bom os textos Valdean, é isso nosso trabalho é para tentar frear essas remoções que ocorrem em processo acelerado.

Estão por aqui