Baú poético

 
Se a vida fosse poesia

A rotina não seria desafio
O poeta viveria submerso na poética de sua poesia
O namoro se conheceria se apaixonaria se amaria
e viveria harmoniosamente todas às horas,
todos os dias

O trabalho árduo desejaria o descanso,
não só, ao final do dia
A tristeza do descanso não acabaria
ao amanhecer do novo dia
O desejo da tristeza desfaleceria
com a chegada da alegria

Os desejos seriam os mesmos
se não fossem desejados todos os dias
O desejo do desejo se realizaria com
alegria, tristeza, vida e poesia,
mesmo sendo, os mesmo todos os dias.


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Pedinte




Limpa teu vidro


te chama de irmão


usa e abusa de submissão


na vã esperança de ganhar


um tostão




A rua é seu lar


Para um pede,


Outro para dá


Outros passam olham sem olhar




Um homem ou uma mulher


Comenta [rapaz novo podendo trabalhar!]




No fim do dia monta a cama


na pedra fria e vai descansar


Em sono profundo sonha


que era Raimundo pelas ruas a vagar.


Encontra um pedinte e comenta


[rapaz novo podendo trabalhar!]




Acorda, o sol aparece às luzes escurecem, conta os trocados.


Em silencio profundo suspeita


que todos e todas são pedintes e todos e todas são Raimundos.



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Cavalo Preto


Nas noites sombrias das favelas

todos esperam o cavalo preto

que vem fazendo barulho pelas ruas

com suas ferraduras blindadas.


O cavalo feito para matar

aterroriza a quem deveria proteger

não respeita ninguém

Quem ele procura para condenar

já é condenado desde pequeno

Quando ele os encontra suas sentenças

já foram aplicadas


Todos na cidade o conhece

quem mora lá acha que ele deve

continuar matando e atemorizando

Quem mora aqui pensa que ele não deveria existir.


E neste jogo de empurra, empurra

O cavalo vai se criando

Com o sangue de inocentes

e as ruas da cidade nas favelas inundando.

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Minha Vida


Eu ali sentado o tempo passava o frio aumentava


Meu corpo gelava minha cabeça doía

Eu não ligava minha vida viria

Eu, minha vida passava o frio aumentava


Meu corpo gelava

Eu não ligava minha vida logo chegaria

Eu ali sentado à vida passava

Eu não entendia porque a esperava.


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O Bloco


Pelas ruas largas e ruelas estreitas
onde mora nossas vidas o bloco passa
Nas janelas de primeiro, segundo e terceiro
os rostos contemplam o batuque
marcando nosso andar

Em dias de chuva ou de sol,
um antes anunciando, um depois fechando
O bloco sai pelas ruas divertindo,
alegrando, cantando, festejando, protestando...

Foliões politizados, bêbados, crianças,
velhos, senhoras dona de casa
seguem o bloco embalados pelo
pulsar de bateria

Os flashs fotográficos
abrem caminho sobre o tempo
registrando a existência tocada
por surdos, caixas, repiques e tamborins

O repicar de mestre de bateria replica
no crer do realizável e na prática do possível.

Em dias assim o bloco sai pelas ruas
cantando o carnaval.


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 Vidas e Vidas









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